Ano 16

21a Mostra de Cinema de Tiradentes- Sexto Dia

Cena de "O nó do diabo" (2017, PB), de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abê e Jhesus Tribuzi
Ontem, quarta, 24, o Mulheres do Cinema Brasileiro conferiu mais dois longas na 21a Mostra de Cinema de Tiradentes.

Na Mostra Olhos Livres, dedicada a filmes mais transgressores, seja na estética, nos personagens ou no tema, foi apresentada a ficção O Nó do diabo (2017, PB), dirigido por Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abê e Jhesus Tribuzi.

Já na Mostra Aurora, competitiva com títulos de cineastas com até terceiros filmes, foi a vez do documentário Ara Pyau - A Primavera Guarani (2018, SP), de Carlos Eduardo Magalhães.

Depois de Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans, a 21a Mostra de Cinema de Tiradentes voltou a exibir outro grande filme: O nó do diabo.

O nó do diabo conta a história do Brasil, a opressão, a violência e o extermínio do povo preto, pobre e periférico desde o momento atual até o tempo da escravidão.

O filme faz essa radiografia pela lente do horror, uma maravilha para fãs do cinema do gênero, sobretudo pelo completo domínio de cena.

E a forma da narrativa, com o roteiro desenvolvido de frente para trás, não só dá conta de radiografar a continuidade lastimável do estado  de coisas - como apresentado pelos realizadores, o nó que não desata -, como também ganha força pelo acachapante desfecho.

O nó do diabo conta a história de uma fazenda durante 200 anos, retratando os horrores cometidos pelos fazendeiros contra o povo preto e pobre, passando  desde a instalação de uma favela em seus arredores até o período da escravidão instituída e legalizada no país.

O nó do diabo é um grande filme, selecionado para o último Festival de Brasília e vencedor do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Alexandre de Sena.

A exibição de O nó do diabo no Cine-Tenda contou ainda com momento especial na apresentação de um dos diretores do filme para a plateia, ao fazer discurso potente sobre a consumação do golpe na democracia na manhã de ontem pelo judiciário e dedicando a exibição ao Presidente Lula. Emocionante!


A Mostra Aurora apresentou seu terceiro concorrente - no total são sete nessa mostra que é competitiva -: Ara Pyau - A Primavera Guarani.

Documentário sobre a menor reserva indígena dos Guaranis, a Jaraguá, fincada em plena cidade de São Paulo, e sua luta ao ter seu território desapropriado pela anulação do processo.

As causas indígenas, assim com sua cultura, são sempre legítimas, fortes e urgentes. Daí que quanto mais filmes abordarem suas questões, maior é a visibilidade.

Ara Pyau - A Primavera Guarani se insere nesse ciclo, e, no caso, do registro in loco de um momento importantíssimo para os Guaranis e para todo o povo indígena.  Ainda que, em boa parte do filme, revela-se um olhar muito mais exterior do que o necessário, um olhar de fora muito de fora para o tamanho de seu objeto..

É basicamente na parte final, da ocupação do Guaranis e aliados nas torres de TV e internet, que Ara Pyau mostra a que veio, e muito mais pelo acontecimento em si do que pelo registro cinematográfico dele..


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A 21a Mostra de Cinema de Tiradentes - de 19 a 27 de janeiro - é toda gratuita e formada por exibição de filmes, debates, seminários, lançamentos de livros, oficinas, shows, exposição e Cortejo da Arte.

Programação completa
www.mostratiradentes.com.br

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Sala 
 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior