Ano 15

13a Cineop - Abertura

Maria Gladys, Idylla Silmarovi, Marcelo Veronez e David Mauryt em cena da abertura da 13. Cineop - Crédito: Léo Lara/Universo Produção
A abertura oficial da 13a Cineop - Mostra de Cinema de Ouro Preto na quinta, 14, mirou seu foco na temática histórica dessa edição, A Vanguarda Tropical: Cinema e outras artes, e na homenageada, a atriz Maria Gladys.

Dirigido por Chico de Paula e Grazi Medrado, a abertura manteve a qualidade apresentada nas edições anteriores das mostras da Universo - as outras são as de Tiradentes e de BH.

Dessa vez, de Grazi Medrado, uma presença em cena sempre impactante, só ouvimos a voz nas narrações dos vídeos sobre a temática. No palco, os maravilhosos Marcelo Veronez e Idylla Silmarov encarnaram a época, os anos 1960, que foram da Tropicália, mas também da ditadura civil-militar, do AI-5, de porrada, tortura e mortes.

Ainda que, à época, Chico Buarque e Caetano Veloso se opusessem musicalmente, MPB versus Tropicalismo, os movimentos se dialogaram em cena, pois a emblemática Roda Viva, de Chico, é mesmo como um hino para aqueles tempos duros, e Domingo no Parque, de Gilberto Gil, um dos signos do Tropicalismo. Tudo na voz de Verronez, sempre perfomaticamente provocador, com uma Idylla em corpo espancado, violentado e torturado em cena em lembrança de ferida aberta a ferro e fogo daqueles tempos criminosos.

A temática da educação, Memórias do Futuro, também foi para a cena em momento lúdico em que os eixos, histórico e ducação, se misturaram, com Veronez regendo um bando de crianças - alunos da Escola Estadual Dom Velloso - vestidos com os parangolés de Hélio Oiticica e dançando ao som da música Parangolé Pamplona, de Adriana Calcanhoto, na voz de Veronez. 

Os adereços são assinados por Léo Piló e os figurinos de Virgínia Barros.

Aliás, falar da abertura é também falar de Barulhista, responsável pela trilha sonora sempre pulsante. Além disso, a presença do mestre de cerimônias mais tropicalista impossível, o delicioso David Maurity, que é sempre um antídoto necessário e eficaz para esses tempos cada vez mais caretas.

Maria Gladys

A atriz Maria Gladys foi mesmo o destaque da abertura. Homenageada da 13a. Cineop, ela foi ao palco para receber o troféu Vila Rica. 

Como já foi dito aqui no Mulheres do Cinema em texto anterior sobre a Cineop, a homenagem à atriz é justíssima, pois junto com Helena Ignez - já homenageada anteriomente -, Maria Gladys representa toda uma escola de interpretação e de postura em cena.As duas são verdadeiros signos de modernidade e, muito mais que musas, como tantas vezes redutoramente alçadas, são autoras e presenças fundamentais no chamado Cinema Marginal, ou Cinema Experimental como preferem muitos. E, claro, também nomes indesviáveis da história do cinema brasileiro como um todo.

No palco, e acompanhada pela filha e amigos, como os cineastas Neville D´Almeida, Geraldo Veloso e Isabel Lacerda, Maria Gladys se emocionou e também divertiu a plateia com a sua irreverência nata. Ao citar vários nomes de quem sempre esteve perto, dentre eles Júlio Bressane, Rogério Sganzerla, Neville D´Almeida, Glauber Rocha e Paulo César Saraceni, tascou: "só ando com gênios". E emendou espirituosa: "E namorei Roberto Carlos".

Depois, dançou com os artistas ao som de Eu vou botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio, em verdadeiro momento de celebração e festa.

Filmes

A abertura contou com dois filmes sobre a homenageada. O primeiro foi o raro Maria Gladys: Uma atriz brasileira (1979), curta dirigido pela atriz e cineasta Norma Bengell, que mereceu palavas carinhosas de Gladys, que não deixou de, com tristeza, recordar os momentos difíceis, financeiros e de saúde, que Norma passou no fim da vida.

Havia apena uma cópia em 35mm do curta na Cinemateca, e a Universo digitalizou o curta para essa rara exibição.

Depois foi a vez de conferir Sem essa Aranha (1970), o longa desconcertante e para sempre moderno dirigido por Rogério Sganzerla, um clássico do Cinema Marginal e do cinema brasileiro como um todo.

Não bastasse a interpretação acachapante e hilária de Jorge Loredo como o protagonista Aranha, o filme conta com participações musicais e performáticas de Luiz Gonzaga e Moreira da Silva, além de reunir as duas deusas do movimento, Helena e Gladys.

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A 13a. Cineop é toda gratuita e formada por exibição de filmes, seminários, debates, oficinas, shows, lançamentos de livros, exposição, e muito mais.

Confira a programação completa
www.cineop.com.br

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Sala 
 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior