Ano 16

Encontros e clássicos na 8ª CineOP

Alice Gonzaga - Crédito: Lucas Godoy/Universo produção
Ontem foi dia de rever dois clássicos do cinema brasileiro, um da década de 1930 e outro dos anos 60.

Alice Gonzaga, filha do jornalista, cineasta e produtor Adhemar Gonzaga, fundador do estúdio carioca Cinédia, divertiu a plateia na apresentação do filme.

Disse que seria necessário ao público se transportar para a década de 1930 e ver o filme com os olhos daquela época. Que Bonequinha de seda (1936) não tinha nada a ver com os filmes feitos hoje, e que por isso certamente iria agradar só as crianças e aos idosos.

Contou também que Carmen Miranda seria a protagonista, mas que não pode fazer porque estava com outros compromissos, daí o papel foi para Gilda de Abreu, que fez muito bem. E chamou atenção para o número musical final – aliás, extenso demais -, dizendo que toda a direção dele foi feita por Gilda de Abreu, revelando ali a futura cineasta que seria depois. Como se sabe, uma década depois Gilda dirige o grande sucesso O ébrio (1946), marcando o início de sua trajetória como diretora. 

Grande produção da Cinédia, Bonequinha de seda foi exibido em cópia restaurada, processo que levou seis anos para ser concluído.

Gilda se sai muito bem na trama como Marilda, a filha de um alfaiate que procura João, personagem de Delorges Caminha, dono da casa em que mora com sua família, para expandir o prazo de pagamento de dívida de aluguel. Humilhada pelo proprietário, ela é ajudada por Madame Valle (Conchita de Morais) e sua filha, interpretada por Déa Selva, e passa por jovem rica que vivera na França e desperta a paixão naquele que a humilhou. A partir daí, desfila pela corte e faz jogo de gato e rato com o fã apaixonado.

O elenco é marcado pela atuação muito teatral de Delorges Caminha, o que diverte involuntariamente, e boas presenças de Conchita de Moraes e Déa Selva.

Depois foi a vez de assistir El justiceiro (1968), sexto filme de Nelson Pereira dos Santos e que vai prenunciar a série de filmes anárquicos que ele vai dirigir, conhecida como fase Paraty, formada por Fome de amor, Azyllo muito louco e Quem é Beta?

Adaptado do livro As vidas de El Justicero de João Bitencourt, o filme é protagonizado por um Arduíno Colassanti no auge da beleza como El justiceiro, e a musa Adriana Prieto, em sua estreia no cinema, como Ana Maria, a bela que vai fisgar o coração do mulherengo.

Otimamente dirigido, El Justiceiro tem diálogos impagáveis e divertidos, e mesmo mais de 40 anos depois mantém todo o seu frescor.


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A se lamentar a coincidência de horários de exibição dos dois clássicos acima com a do filme Mazzaropi (2013), dirigido pelo grande crítico de cinema Celso Sabadin.


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Ontem foi dia também de produzir novos materiais para o site. Depois de depoimentos dos cineastas Nelson Pereira dos Santos, Maurice Capovilla e Francisco Ramalho Jr., o site registrou ótimas entrevistas com a pesquisadora e atriz Leonor Souza Pinto, e com a atriz e diretora Sabrina Greve.


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 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior