Ano 15

Livros, debate e filmes na 8ª CineOP

Exibição de Cine Holliúdy - Crédito: Leo Lara/Universo Produção
A 8ª CineOP abriu espaço ontem para o lançamento de livros sobre cinema no hall do Centro de Convenções da UFOP, sede da mostra.

Um dos destaques é Subversivos – o desenvolvimento do cinema de animação em Minas Gerais, de Sávio Leite, no qual se encontra entrevistas importante com vários realizadores, e, em particular, várias mulheres da animação, como Aída Queiróz, Adriana Pureza e Tânia Anaya.


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Já no auditório foi a vez do debate Por dentro dos filmes, que abordou as produções no recorte focalizado da CineOP, 1964-1969 – golpe militar e ano subsequente ao AI-5.

A mesa reuniu Cléber Eduardo, Ismail Xavier, João Luiz Vieira e Hernani Heffner, com mediação do professor e crítico de cinema Francis Vogner dos Reis, cada um deles abordando pontos diferenciados sobre o período.

A fala de Ismail Xavier foi muita ilustrativa e que se deteve na produção cinematográfica de uma forma mais abrangente, mas não desviou do contexto cultural da época como o teatro, a música, a literatura e as artes plásticas.

Ismail chamou atenção para o diálogo entre essas artes e o desaguamento de questões de todas elas no cinema e para outros ponto: o fato de o Cinema Novo ter sido feito por cinéfilos; o cinema militante; a intervenção na conjuntura política e cultural; a busca do público popular; o nascimento de um cinema brasileiro complexo, pois cada um dos realizadores traziam suas subjetividades, e moderno.

Cléber Eduardo chamou atenção para como as mulheres e os jornalistas são retratados em alguns filmes daquele recorte, de como elas já apareciam com uma postura moderna e já expunham a fragilidade masculina, citando, por exemplo, a relação entre os personagens de Adriana Prieto e Arduíno Colassanti em El justicero, de Nelson Pereira dos Santos; e a grande presença da figura dos jornalista em vários filmes, lembrando também que vários cineastas trabalham na área.

João Luiz Vieira situou a presença das chanchadas realizadas no período, chamando atenção para o lugar comum de dizer que as chanchadas terminaram na década de 1950, mas que não é bem assim,  e também sua herança presente em vários filmes do Cinema Novo, como em Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade.

Já Hernani Heffner abordou os filmes paulistas que não são imediatamente associados ao período, ainda que cada um deles esteja embebido do presente político, detendo-se, principalmente, na produção de Luís Sérgio Person em São Paulo S.A., mas abordando também José Mojica Marins e seu filme O estranho mundo de Zé do Caixão, e José Agrippino de Paula em Hitler 3º mundo.


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À noite, dois filmes, um na praça e outro no Cine Vila Rica, respectivamente Cine Holliúdy e Bebel, garota propaganda.

Dirigido por Halder Gomes, Cine Holliúdy (2012) é uma produção cearense que aposta no humor para contar sua história. O filme lança olhar nostálgico para os exibidores mambembes e os cinemas de rua do interior do estado, e do país, antes do advento da popularização da televisão.

O roteiro e a direção apostaram muito mais não criação de tipos do que de personagens, e é, muitas vezes, por isso que a comédia pode, para alguns, não funcionar totalmente. Ou seja, é daqueles filmes em que você embarca na proposta ou não. Vale ressaltar a ótima atuação do protagonista, interpretado por Edmilson Filho.

Bebel, garota propaganda (1967), de Maurice Capovilla, é uma adaptação do livro Bebel que a cidade comeu, de Ignácio de Loyola Brandão. No filme, Rossana Ghessa é a protagonista, jovem pobre levada ao estrelato pela indústria cultural, a partir de uma campanha nacional de publicidade, e depois descartada por ela.

Bebel perambula pela propaganda e pela televisão, tendo que se submeter ao sofá de seus comandantes, em caminho indesviável da prostituição, aniquilando seus sonhos de celebridade.
Bebel, garota propaganda é belo filme de Maurice Capovilla, cineasta politizado e dono de obra cinematográfica vigorosa.

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Sala 
 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior