Ano 16

23 Mostra de Tiradentes - Debate Homenagem

Crédito: Netum Lima/Universo Produção
O Cine Teatro Sesi, no Centro Cultural Yves Alvis, ficou lotada para conferir o Seminário Debate Homenagem, na manhã de sábado, 25, na 23a Mostra de Cinema de Tiradentes.

O encontro mediado por Pedro Maciel Guimarães, um dos curadores da Mostra de Tiradentes, reuniu os atores Antonio Pitanga e Camila Pitanga, homenageados dessa edição.

O talento como narrador que Antonio Pitanga já evidenciara na abertura da Mostra no Cine-Tenda encontrou sua propulsão nesse encontro, em que revisitou suas origens, seja na infância com a mãe, figura decisiva na sua formação, como também nos primeiros passos artísticos.

Pitanga, que evoca sua ancestralidade negra em cada fala, recordou o primeiro trabalho no cinema em Bahia de todos os santos, filme realizado por Trigueirinho Neto em 1960, no qual interpretou o personagem Pitanga, nome que adicionou como sobrenome artístico.

O ator, um dos símbolos do Cinema Novo e também diretor do belo Na boca do mundo (1978), ressaltou a importância da formação da mãe e de como se tornou cidadão a partir do cinema, da cultura.

Citando Gianfrancesco Guarnieri "Liberdade é pegar o sol com a mão", Pitanga clamou por ousadia, pela defesa da cultura, pela ancestralidade, pelo direito de sonhar. Falou da dívida histórica do país com o povo negro, a sua busca pela identidade no continente africano, e pela eterna resistência do povo negro desde a diáspora.

Falou ainda sobre o Cinema Novo e seu encontro com tantos cineastas fundamentais em sua vida e carreira, como também na história do cinema brasileiro. E foi certeiro, ao dizer sobre o povo negro, que sempre caminhou na contramão do lugar que querem lhe confinar: A História que o Brasil não conta, cada um de nós tem que contar".

Camila Pitanga escuta seu pai, o tempo todo, com uma explicitação de afeto e de admiração. Não à toa, dirigiu junto com Beto Brant o documentário Pitanga, seu primeiro filme como cineasta. No debate, ela falou sobre o processo do filme e como foi revisitar a vida de seu pai como artista e como homem, o que acabou também sendo uma revisitação sobre si mesma e sobre sua mãe, a atriz, já falecida, Vera Manhães.

Uma de suas melhores falas foi quando respondeu a uma pergunta simples, mas verdadeira de uma outra jovem preta, que quis saber como ela se sentia sendo uma mulher famosa. Camila disse que ficou famosa muito cedo, e que, na verdade, naquela época não foi uma experiência tranquilha. Mas que hoje usa sua visibilidade para fortalecer as causas  que acredita, e que passam, indubitavelmente, pelo coletivo. 



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23a Mostra de Cinema de Tiradentes
de 24 de janeiro a 1 de fevereiro
Programação completa
www.mostratiradentes.com.br

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Sala 
 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior