Ano 16

Tiradentes - Debate, Longas e Curtas

Mesa sobre "Teobaldo morto, Romeu exilado"
O ritmo continua intenso na 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

O Mulheres anda meio triste com tantas perdas – Maria Della Costa, Susana de Moraes e Vanja Orico – mas a vida continua.

Ontem, 28, o Mulheres fez uma entrevista, colheu um depoimento, participou de um Seminário, assistiu dois longas e quatro curtas.

O Seminário Encontro com a Crítica, Diretor e Público sobre o filme “Teobaldo morto, Romeu exilado” reuniu o diretor Rodrigo de Oliveira, o montador Luiz Pretti, o fotógrafo Lucas Barbi, o produtor Vitor Graize, e os atores Margareth Galvão, Alexandre Cioletti e Erik Martincues. Também na mesa o crítico convidado Milton do Prado e o mediador, e também crítico, Marcelo Miranda.

Como não poderia deixar de ser – ainda que nem sempre isso aconteça -, as melhores falas sobre o filme vieram de Rodrigo de Oliveira, diretor do longa, já que o filme é um projeto muito pessoal dele.

Já na apresentação no dia da exibição do Cine Tenda, Rodrigo anunciara o filme como um olhar seu para a questão da paternidade, chegando, inclusive a anunciar a presença de seu pai na plateia, e para quem o filme é dedicado. A mãe já estivera em 2013 na exibição de “As horas vulgares”, o filme anterior que também participara da Mostra Aurora na época, e dessa vez o casal esteve presente.

“Teobaldo morto, Romeu exilado”, já comentado no texto anterior, tem como tema central, segundo seu diretor, a questão da paternidade. Mesmo que isso não seja algo imediatamente identificado pelo público.

“Eu queria falar sobre a paternidade, a relação com o meu pai e a minha própria relação com a paternidade, já que penso, inclusive, em ser pai, em ter um filho de dois pais”. 

As falas de Rodrigo seduziram tanto quando fala do tema como também ao falar sobre as questões formais. Ele deixou claro que tem grande interesse pela narrativa, pela palavra. Mas no caso de “Teobaldo”, o filme veio antes por imagens, que vieram para ele em sonho ou de outras formas, como o cavalo ferido, a árvore em chamas, o centauro. E também porque queria usa aquela música, Bethoven, da forma como está no filme.


Filmes

À noite foi a vez de conferir dois longas e quatro curtas.

O Cine- Tenda abriu a programação da noite com a exibição de “Brasil S.A” (2014), de Marcelo Pedroso.

O filme, que anda circulando em festivais, mostra um Brasil que, ainda artesanal e rudimentar, vai sendo reconfigurado e engolido pela grande máquina, pelo grande negócio, e pela coisificação das relações e posturas.

Tudo isso em uma narrativa de imagens e sem falas que desemboca na ficção científica. Só que, ainda que conte com alguns bons momentos da fotografia de Ivo Lopes Araújo, como a dos caçadores noturnos de caranguejo no mangue, o filme não consegue impor “novidades”.

E aí, tanto nas questões críticas e políticas de seu tema, nem na estética, que lembra demais os filmes de Godfrey Reggio realizados na década de 1980 (“Koyaanisqatsi” e “Powaaqqatsi”).

O segundo filme da noite, “O signo das tetas”, (2015), uma produção do Maranhão, teve sua primeira exibição pública.

Dirigido por Frederico Machado, o filme acompanha o personagem interpretado por Lauande Aires, um homem marcado pela imagem de desejo na infância pela mãe.

Em sua apresentação, Machado fez questão de ressaltar, mais de uma vez, o hermetismo presente em seu filme. Só que assistindo ao filme, o tal hermetismo não se torna empecilho, já que os entraves do filme parecem estar mais mesmo mais na realização do que na proposta estética e de roteiro.

Ainda que o resultado de “O signo das tetas” não seduza, a fotografia se impõe em momentos como a máscara trágica da senhora se banhando de caneca.

Mostra Foco – Com quatro filmes, encerrou ontem a Mostra Foco.
Como já foi dito por aqui, a Mostra Foco é aquela em que seriam exibidos os curtas de maior expressividade, pois, comumente, são produções que estão circulando pelos grandes festivais.

Por questões de metodologia – é impossível acompanhar a imensa produção de curtas -, o Mulheres não é um especialista em filmes desse formato, pois não acompanha a produção.

Só que, especificamente, essa edição da Mostra Foco, exatamente por ser uma novidade de cobertura para o Mulheres, se mostrou, na média, muito fraca. 

Mais informações sobre a 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes
www.mostratiradentes.com.br



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Sala 
 Betty Faria
Com amor profundo pelo cinema, premiada em vários festivais no Brasil e no exterior