Ano 16

Casal, O, 1975, Daniel Filho

O casal Sônia Braga e José Wilker

Daniel Filho é hoje braço poderoso da Globo no cinema, para muitos sinônimo da Globo Filmes. Já durante as décadas de 1970 e 80, foi o todo poderoso da TV Globo, responsável pela área da teledramaturgia formada por novelas, minisséries, especiais, séries, seriados e também por alguns programas musicais. Este O Casal é dessa fase primeira, época em que na TV dirigia o megassucesso Pecado Capital (1975), de Janete Clair. Se hoje, Daniel Filho é acusado, nem sempre justamente, de imprimir uma estética televisiva no cinema via Globo filmes, o mesmo jamais poderia ser dito sobre O Casal. Há cinema ali. A história é uma adaptação, assinada por Oduvaldo Vianna Filho e Daniel, da peça do primeiro, "Enquanto a Cegonha não vem". José Wilker e Sônia Braga formam um casal que vivencia as dores e delícias da espera de um filho. Ele é um professor de história às portas do teste de mestrado que tem que mudar sua rotina com a chegada do filho, a fim de faturar mais grana para dar conta do recado. E, mais que isso, como ele próprio diz, ter que virar “hominho”. Já ela é uma romântica, que ainda que perceba que as coisas não estão fáceis, não abre mão de alguns desejos burgueses.


Daniel Filho dirige bem essa terna história, que é cara dos textos sobre a classe média escritos por Vianninha. Não é um grande filme, mas tem força principalmente na carga emocional impressa pelos seus atores. Quando Jack Nicholson resolve parar de ligar o piloto automático, deixar de lançar mão de suas caretas e atuar de verdade como nos bons tempos, ele mostra do que é capaz – como fez, por exemplo, em Melhor é Impossível (1997), de James L. Brooks. O mesmo acontece com José Wilker, que tem o primeiro como ídolo. Há muito, Wilker parece usar o mesmo piloto automático e o mesmo repertório de caretas. Mas quando quer ser o grande ator que é não sobra para ninguém, como fez em O Maior Amor do Mundo (2006), de Carlos Diegues. O Casal é da fase em que sua maestria era constante, tanto na TV – Gabriela (1975), de Walter George Durst, quanto no cinema – Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto. E ele arrasa como o inseguro Giacometti. Já sobre Sônia Braga virou um clichê descrevê-la como uma força da natureza. Mas é quase mesmo impossível não nos vir essa associação vendo-a em cena, esbanjando carisma e emoção à flor da pele. Há que se destacar também o elenco coadjuvante, sobretudo as presenças de Antonio Pedro e Betty Faria - linda -, na época casada com Daniel.


domingo, 8 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 006



::Voltar
Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.