Ano 16

Panteras negras do sexo, As, 1983, Ubiratan Gonçalves

Blaxploitation chega com estilo à Boca

O cinema americano dos anos 1970 não consagrou apenas cineastas mundialmente conhecidos como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Steven Spielberg. Viu também suas telas sacudidas por movimentos e gêneros que influenciariam outras cinematografias. Um exemplo? O chamado Blaxploitation, gênero que colocou os negros nas telas em filmes de baixo orçamento, atuando e dirigindo, em tramas policiais eletrizantes. O Blaxploitation veio bater à porta da produção brazuca, encontrando na Boca do Lixo geografia perfeita, já que ela sempre foi espaço efervescente a gerar filmes dos mais diferentes gêneros e subgêneros, ainda que muitos quisessem condicioná-la apenas às pornochanchadas. Em 1983, era lançado no Cine Olido, em São Paulo, As Panteras Negras do Sexo, produzido e dirigido por Ubiratan Gonçalves, com argumento e roteiro dele e de Ody Fraga. O filme é fita nos moldes dos Blaxploitation, mas com molho brasileiro, protagonizados por negros e aliando sexo e trama policial, junção que a Boca sempre fez, mas quase nunca com esse tipo de elenco à frente. A trama coloca em cena uma família negra endinheirada conduzida com mão de ferro pelo patriarca interpretado pelo saudoso Henricão, cujos valores de conduta moral parecem um tanto antiquados aos olhos de seus numerosos filhos. Logo no começo, uma jovem é assassinada e jogada no mar por um playboy, e pouco depois vamos saber que ela é a filha caçula de Henricão, que como seus filhos, sabe que a menina desapareceu, mas desconhece seu trágico destino. É aí que sem denunciarem para a polícia, eles vão se unir para tentar descobrir o que aconteceu e quem está por trás disso tudo.


Filme injustamente invisível na filmografia brasileira, As Panteras Negras do Sexo desperta o interesse o tempo todo e ficamos realmente cúmplices de sua história. Ubiratan Gonçalves conduz bem sua trama e o mestre Pio Zamuner consegue imprimir cores quentes em sua fotografia sintonizada com seu foco. O roteiro claudica um pouco em cenas com um certo descompasso, mas segura a onda durante 60 minutos. Só que nos últimos 20 minutos a coisa desanda, e a gente fica cafifando sobre o que pode ter acontecido para o filme ter um desfecho tão apressado e nas coxas: faltou dinheiro? Deu a louca nos roteiristas? É realmente uma pena, pois desperdício de um potencial que se bem finalizado elevaria o filme em altos decibéis, colocando este As Panteras Negras do Sexo em outro patamar - inclusive em nossa memória. Ainda assim é filme que se mantém e cujo interesse permanece.


Em tempo: como assinalou o amigo Sergio Andrade nos comentários, tinha faltado registrar a presença do então jogador Serginho Chulapa no texto. No filme, ele também faz um jogador, que é irmão da moça assassinada. É o protagonista, mais pela fama que pela importância de seu personagem em cena, já que o que vale ali é conjunto.


sábado, 7 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 005



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.