Ano 16

Meu destino é pecar, 1952, Manuel Peluffo (Texto 1)

Nelson pela primeira vez no cinema (texto 1)

Suzana Flag foi o pseudônimo que Nelson Rodrigues usou para escrever folhetins para mulheres nos jornais diários dos anos 1940 e 50. Mas não esperem apenas amores melodramáticos vencendo barreiras aparentemente intransponíveis para garantia do final feliz. Claro que eles estiveram lá, pois amores assim e finais felizes idem sempre foram a base de todo folhetim que se presta – e estão aí até hoje nossas telenovelas para continuidade ao legado. Só que nos romances de Flag, nos entornos das histórias, também estavam garantidos lugares para obsessões, matriarcas egoístas, disputas familiares, sentimentos extremados. Meu Destino É Pecar é dos grandes sucessos da pena de Flag, por duas vezes adaptados para o audiovisual: virou filme e virou minissérie. A minissérie foi ao ar em 1984 na TV Globo, adaptado com brilho por Euclydes Marinho. Lucélia Santos foi a protagonista Leninha, em elenco estelar em que se destacavam ainda Tarcísio Meira, Marcos Paulo e Esther Góes. Aliás, a década de 80 foi de ouro para a dobradinha Lucélia/Nelson, pois a atriz esteve em mais três filmes baseados na obra do escritor: Engraçadinha (1981), de Haroldo Marinho Barbosa, Bonitinha, mas Ordinária (1981) e Álbum de Família (1981), ambos de Braz Chediak – e nos quatro trabalhos sempre com talento gigante. Só que antes, muito antes, Meu Destino É Pecar chegou aos cinemas em produção da Maristela, em 1952.


Dirigido por Manoel Pellufo, o filme é protagonizado por Antoniette Morineau – uma das estrelas do estúdio paulista -, mais Rubens de Queiróz como Paulo, Alexandre Carlos como Maurício, e Zilah Maria como Lídia. É curiosa essa adaptação, que dilui bastante os entreveros do folhetim, mas consegue impregnar uma certa ambiência doentia em sua história. Pena que tenha contado com atores fracos para dar vida a personagens tão marcantes, salvando apenas a musa Morineau, que não faz feio com sua Lena. Já Zilah Maria perde a chance de emplacar sua Lídia – a personagem mais interessante da história -, compondo de forma exteriorizada a mulher obcecada pela cunhada Guida, que havia sido morta estraçalhada pelos cães da casa. Faz sentir saudades de Esther Góes, que arrasou na minissérie impregnando ambiguidade sexual em sua doente obsessão.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 001



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.