Ano 16

Corpos quentes, 1987, Alfredo Sternheim

Filme de sexo explícito de altíssima cepa

Corpos Quentes é dos filmes prediletos de Alfredo Sternheim da sua fase explícita. Não há como discordar do cineasta, pois Corpos Quentes é mesmo um baita filme. A trama começa com um assédio de um garotão por uma mulher em um bar que poderia ser como outros tantos que acontecem nas noitadas. Só que depois da transa, enquanto ela dorme, ele tenta surrupiar sua grana. Ela acorda, nega a pagar o michê, mas é agredida e obrigada por ele a abrir o cofre da casa e entregar-lhe seu dinheiro e jóias. Mal sabia ele com quem estava mexendo. Ela pega o revólver, atira uma balaço nele e o enterra no bosque que margeia sua casa.


Essa poderia ser também mais uma daquelas histórias de sexo com final trágico, mas daí ficamos sabendo que a moça já tinha um possível assassinato nas costas, pois fora suspeita de assassinar o próprio marido. E quando o namorado de sua empregada e a própria descobrem o corpo enterrado, e o ambicioso rapaz resolve chantageá-la, eles acabam também por encontrar o mesmo destino das covas no quintal – ainda que mortos acidentalmente. Com tantos sumiços, entram em cena o amigo e a namorada da primeira vítima, e também o irmãos gêmeo da segunda, um padre, que farão de tudo para descobrir o que aconteceu naquela casa. Corpos Quentes tem ótimo roteiro, com personagens muito bem construídos. O filme conta ainda com interpretação arrebatadora de Ludimila Batalov. Atriz de recursos dramáticos e sem pudor em protagonizar as cenas de sexo explícito, Batalov é o ponto altíssimo desse penúltimo filme de Alfredo Sternheim. Durante toda a trama sua personagem é assaltada por pesadelos, todas claro repletas de sexo – é engraçadíssimo ver fantasmas de pau duro e trepando a valer – , o que exige da atriz ser convincente não só na cama mas também na interpretação. Corpos Quentes é prova de que filme de sexo explícito não precisa ser sinônimo de bagaceira, e aqui Alfredo Sternheim realizou um ótimo exemplar do gênero.


sábado, 23 de abril de 2011

longas brasileiros em 2011 (016)



::Voltar
Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.