Ano 16

Pixote, a Lei do Mais Fraco, 1980, Hector Babenco

Obra-prima de Babenco

Começou ontem a retrospectiva de Hector Babenco no Canal Brasil. Não preciso dizer que garanti meu lugar em frente à TV e assisti Pixote - A Lei do Mais Fraco, e depois o documentário Pixote In Memorian, de Felipe Briso e Gilberto Topczewski. Maravilhosa essa retrospectiva, pois só tinha visto Pixote quando lançado na época nos cinemas, e depois em um cópia VHS escura e sem muita qualidade. A exibida ontem, por ser restaurada, está perfeita, e mais uma vez Pixote, A Lei do Mais Fraco se confirma como um dos filmes mais impactantes da década de 80 e de todo o cinema brasileiro. O elenco todo está excepcional, e deu saudades ver Ariclê Perez bela e com o talento de sempre, como a professora da Febem que alfabetiza Pixote. De Fernando Ramos da Silva então nem se fala, com sua cara trágica em misto de inocência e alta dose de tristeza.E Marília Pêra está mesmo sensacional, fazendo tudo que pode com o talento arrebatador que possui. A poderosa crítica americana Pauline Kael escreveu sobre esse trabalho de Marília, que foi premiado pelos críticos de Nova York: "Marília Pêra tem uma presença que lembra a de Anna Magnani - horripilante e sensacional. A paixão que ela exibe elimina os garotos não-atores da tela. É a prostituta gerada pelas fantasias masculinas mais tenebrosas, e nas suas cenas o filme atinge um esplendor de brilhante crueza.". Só não concordo com a colocação de que ela elimina os garotos porque acho que eles estão bem e batem bola direitinho com Marília. Mas que a interpretação da atriz é antológica, isso é.

Já do documentário gostei bastante, ainda que a montagem seja um pouco maniqueísta. Mas me interessei por rever os garotos agora crescidos, e por muitas falas dos entrevistados. Nunca achei que a tragédia de Fernando Ramos da Silva fosse culpa de Babenco, como a mídia da época ressaltou tanto. Mas a montagem, e, sobretudo, as falas finais, pesam a mão ao querer colocar em evidência essa não-culpa de Babenco nessa trajetória com desfecho trágico de seu ator protagonista. E também acho que a culpa não é do Fernando, como essa montagem final deixa nas entrelinhas, algo que me incomodou e achei simplório -como na fala de Marília Pêra que diz que a vida de ator é difícil. Ok, mas aqui o buraco é bem mais embaixo. Estamos falando de um menino que não era ator e de tudo que essa exposição, fatalmente, repercutiu em sua vida particular.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.