Ano 16

Mulher Desejada, 1978, Alfredo Sternheim

Ótimo drama de Sternheim

A filmografia de Alfredo Sternheim é curiosa. E interessa sempre. De um lado tem filmes de uma linhagem mais realista como Violência na Carne e Brisas do Amor; de outro, tem tramas que se embebedam em devaneios e transfigurações de um real menos ordinário, como em Herança dos Devassos e esse Mulher Desejada. Herança lembra o cinema de Walter Hugo Khouri, mas Mulher Desejada tem também, em alguns momentos, aquela ambiência do mestre - sobretudo na forma como a câmera ama suas atrizes. Aqui, é a vez da bela Kate Hansen, também Khouriana, que no filme é uma atriz em crise com o desejo e o amor: leva seus homens para a cama porque os deseja; quer amá-los, mas não consegue. Até que conhece o filho da caseira de uma casa de campo de uma amiga. 

Sternheim conduz com mão firme o enredo, e o olho da gente não deixa de percorrer os passos da atriz no filme e da atriz que a interpreta. No elenco, ele se valeu de parceiros como Elisabeth Hartmann e Ivete Bonfá - e tem ainda a bela Marlene França e uma ótima atuação de Eduardo Tornaghi - que parece ter nascido para o papel. Kate Hansen é daquelas atrizes que parecem estar sempre no fio da navalha e por isso sugere um diretor de mão firme para que também sua beleza estonteante não ofusque os personagens que interpreta. Em Mulher Desejada ela, mais uma vez, está linda. E o melhor, consegue segurar o papel difícil de ser desejada não só pelos homens e mulheres da tela, mas também pelos que estão do lado de cá.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (36)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.