Ano 16

Estranho Encontro, 1957, Walter Hugo Khouri

Ótimo filme da primeira fase de um mestre

Um dos filmes mais conhecidos da primeira fase de Khouri, pois foi exibido várias vezes na TV - mesmo que há muito tempo não mostra a cara na telinha. Estranho Encontro é o segundo filme do diretor e ainda que seja na composição bem diverso de outros de seus trabalhos, pois está a serviço de uma direção mais clássica, já se percebe aí o estilo que ele desenvolverá posteriormente e que o fará nome-farol no cinema brasileiro. Mário Sérgio encontra Andrea Bayard perdida e desesperada na estrada e a leva para a casa de sua amante Lola Brah, onde a esconde dela e dos olhos curiosos do caseiro Sérgio Hingst, e ainda a protege de Luigi Picchi, de quem ela foge. 

Como já se disse a direção é clássica, mas além disso não ser sinônimo de deficiência, essa escolha estética em nada diminui o resultado, que é completamente envolvente. E muito do que é caro ao cineasta já está lá: a fotografia esmerada, a trilha sonora personalíssima, o urdimento de um clima de mistério existencial, a ótima direção de atores, e mulheres deslumbrantes. Bayard está bem como a frágil Júlia, mas quem rouba a cena mesmo é Lola Brah, essa atriz absolutamente imprescindível na história do cinema nacional. Lola dá uma dignidade ofendida à sua personagem e exala sensualidade altiva, ainda que consciente de seus limites. Já no elenco masculino, ainda que todos estejam bem, é Sérgio Hingst que também leva a melhor em uma composição de desafio impertinente. Estranho Encontro já foi porta de entrada para muita gente adentrar o cinema de Khouri, e com apenas uma casa de campo e cinco atores ele fez um filme que é um belo cartão de visitas de um mestre.

sábado, 13 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (34)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.