Ano 16

Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Resende, 1981, Braz Chediak

Nelson pela lente genial de Braz Chediak

Nelson Rodrigues, felizmente, sempre despertou interesse em nossos cineastas. Mas no inicinho da década de 1980 foi uma verdadeira coqueluche, pois invadiu as telas - e também a TV -, e resultou em filmes nem sempre exaltados pela crítica, mas que provocam interesse renovado. E, sobretudo, para aqueles que conferiram aqueles lançamentos in loco e agora borboleteam na poltrona em gozo engolfado em diversão zéferiana. O cineasta Braz Chediak atacou de três filmes na época e, esperto, se cercou de elencos fabulosos, o que é crucial quando se trata do universo deliciosamente crítico-divertido-chocante-pervertido do genial dramaturgo. E em Bonitinha mas Ordinária, que já tinha originado outra bela produção em 63 dirigida por Billy Davis, não foi diferente. 

Chediak tem uma direção segura e entende do riscado - é um cineasta que precisa ser mais reverenciado. E ao reunir Lucélia Santos, gigante - a protagonista que é deflorada e para a qual é providenciado um marido para assegurar a honra da família; e mais José Wilker, Vera Fischer, Milton Moraes, Carlos Kroeber, Sonia Oiticica, Henriette Morineau, Monah Delacy, Miriam Pires e Rubem Correa, criou o sustentação ideal para que os diálogos precisos de Nelson soem aos nossos ouvidos como mel conspurcado de esperma e suores. Bonitinha mas Ordinária é filme a que se assiste com órgãos genitais hesitantes em ficar eretos e molhados, pois com medos ancestrais de serem decepados à lâmina de navalha.

sábado, 13 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (33)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.