Ano 16

Rio, Verão & Amor, 1966, Watson Macedo

Filme deliciosamente solar de gênio popular

O Brasil já estava sob o duro jugo da ditadura civil-militar, mas o Rio de Janeiro de Rio, Verão & Amor ainda tinha o glamour que hoje, de certa forma, ainda se sustenta, só que de ordem diversa, pois nostálgica, muito mais no inconsciente coletivo e também no imaginário de cada brasileiro. A cidade maravilhosa de Macedo é das praias ensolaradas, das paqueras, das meninas de corpão violão e dos conversíveis. É tambem a arena onde se disputam os amantes da Bossa Nova e do iê-iê-iê, em um verdadeiro Fla x Flu. E é na praia que se encontram personagens deliciosos como Paulo e Gabriela, ele falso rico e ela podre de rica; o bonitão salva-vidas Pedro e sua namorada virgem Margarida; e também a maluquete Lolita e o rei do iê-iê-iê Maurício. 

A trama se sustenta nos mal entendidos entre o primeiro e o segundo casal, assistidos e avacalhados pelo terceiro. E tem ainda um empresário que quer se aposentar, dois candidatos de olho na sua vaga na presidência e uma francesa birutinha e triste. O filme custa a pegar no tranco, pois de início há uma forçação de barra na leveza a la Turma da Praia de Frank Avalon e Annette Funicello - ainda que seduza com números musicais como o de Lílian, a do Leno, cantando docemente na praia. Mas é quando se dá uma festa em um pensionato onde os homens se vestem de mulher para burlarem a vigilância da opressora dirigente que o filme pega ritmo e pega a audiência - e Augusto César Vanucci vestido de pantera é inacreditavelmente divertido. Outro destaque é a presença da belíssima Elizabeth Gásper como a francesa Monica, com um quê de uma Brigitte Bardot de Vida Privada, de Louis Malle, mas contaminada pelos ares do arpoador. Último filme do genial Watsom Macedo, Rio, Verão & Amor é sessão da tarde solar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (40)



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.