Ano 16

Paraíba, Vida e Morte de um Bandido, 1966, Victor Lima

Ótima trama policial de um mestre

O gênero policial no cinema brasileiro é um capítulo à parte (e a querida Andrea Ormond do blog "Estranho Encontro"o já escreveu deliciosa introdução sobre o tema). Filmes como Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias, Mineirinho Vivo ou Morto (1967), de Aurélio Teixeira, O Marginal (1974), de Carlos Manga, Barra Pesada (1977), de Reginaldo Faria, Ódio (1977), de Carlo Mossy, e Eu Matei Lúcio Flávio (1979), de Antonio Calmon já valeriam uma cinematografia inteira. Como também é o caso desse Paraíba, Vida e Morte de Um Bandido. A produção é protagonizada por Jece Valadão, que nasceu para esse tipo de filme, pois é difícil encontrar outra persona no cinema nacional que incorpore tão organicamente cafajestagem sedutora e perigosa. É daqueles bandidos que a gente tem medo, mas fantasia perversões consentidas e secretas. 

Na trama, Paraíba se refugia ferido em uma igreja e a partir daí relembra sua vida: mortes, golpes, mulheres, traições. Temido por todos, o roteiro e a interpretação de Jece são nota 10, pois mostram, claramente, o gozo que ele tem em matar. E isso, que poderia nos causar aqueles julgamentos de praxe, "ah, é mais um psicopata", esvazia-se por completo, já que há uma sutileza o tempo todo que faz com que fiquemos incomodados com algo que certamente escorre pelos subterrãneos. Um filmaço do veterano Victor Lima, que já começa bem com uma arma pós-tiros que não se congela e fica ali em tempo real apontada para nós. E ainda tem duas deusas em inicio de carreira: uma desglamourizada Rossana Ghessa, e a já fatal Darlene Glória.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (39)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.