Ano 16

Vale dos Amantes, O, 1982, Tony Rabatoni

Rita Cadillac em grande cena

O Vale dos Amantes parece ser, em princípio, um filme que dará voz à libertação dos desejos da mulher: a ex-stripper e agora dona de casa insatisfeita sexualmente; as duas jovens amiguinhas que roçam no matinho e juram amor eterno; e a empregada que transa com o namorado peão, mas pensa mesmo é no engenheiro bonitão. Só que isso não impede que em menos de 10 minutos de filme três delas já tenham tirado a roupa. Na trama, um engenheiro de São Paulo - Deny Cavalcanti, é contratado por um fazendeiro - Sérgio Hingst, para mapear o terreno onde ele quer construir uma paragem para turistas. Só que ele acaba se envolvendo com a mulher do patrão - Rita Cadillac, que de vestido amarelo lhe recebe à porta de casa, mas com olhar de quem queria mesmo é já estar no quarto. Só que lá pelas tantas esse affair entre o moço e a dona desaparece, e a bela Rita vai junto, já que a história se volta totalmente para o relacionamento das meninas em episódio de crime e punição. 

O Vale dos Amantes quer se levar a sério o tempo todo e ainda banhado em música grandiloquente, mas é quando abre a guarda que seus momentos de encanto vêm à tona. Como na ótima cena de flashback circular, em que Rita Cadillac vai de uma festa de forró na roça direto para um inferninho paulista onde faz stripper (ao som de Billy Paul?). O curioso é que ela começa a pensar no forró, a história gira para a cena da boate, e ao final ela está na boate pensando novamente e a trama volta para a roça. Essa cena vale quase o filme todo, que ainda se ressente de um final precipitado, como se tivessem cortado passagens ou os rolos tivessem acabado antes do término das filmagens.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (37)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.