Ano 16

Se eu fosse você 2, 2008, Daniel Filho (Texto2)

sequência perde a graça

Se Eu Fosse Você 2 levou cerca de 6 milhões de espectadores ao cinema, o que significa que tem lá seus méritos. Ok, sabemos que tem muito filme ruim, sobretudo americano, que também abocanha um grande público. Mas também não podemos esquecer que não é sempre que o brasileiro faz o caminho da roça para ver cinema nacional. Ainda que sem perder de vista essa contextualização, é duro se deixar seduzir por esse filme que revela-se calculado do cóccix até o pescoço. Como se sabe, a história é sobre um casal que ao ser vítima de um raio troca novamente de corpo. A partir daí ela, Glória Pires, coça o saco e diz palavrão; e ele, Tony Ramos, faz cara de leitora de Sabrina e desfila com sacolas coloridas pelo shopping. 

Todo o filme espreme sua trama daí, com o mesmo casal do primeiro Se Eu Fosse Você, agora às voltas com uma separação e a descoberta da filha adolescente grávida. O primeiro filme ainda tinha um certo frescor, sobretudo pela descoberta, para quem ainda não sabia, de que Tony Ramos é um grande ator que também sabe fazer comédia. Só que nessa bem-sucedida continuação, o gosto de piada esticada faz amargor na boca. Saiu um certo tipo de acaso e entrou a fita métrica, pois já sabemos de antemão que todas aqueles gestos e caras que ela faz em frente ao espelho ou quando acorda serão copiados ipsis litteris por ele. O filme tem alguns momentos engraçados e, claro, Tony Ramos rouba a cena mais uma vez. Ainda assim sobra espaço para Chico Anysio e para o talento de Isabelle Drummond, talvez a única personagem em que acredita-se de carne e osso.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (43)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.