Ano 16

Solidão, Uma Linda História de Amor, 1989, Victor di Mello

Elenco estelar em fraca produção

Lançado nos estertores da produção e exibição do cinema brasileiro da época - o fatídico 1989 às vésperas do pesadelo Collorido, Solidão - Uma Linda História de Amor é, até agora, o último filme do veterano cineasta Victor di Mello, diretor de filmes bacanas como Essa Gostosa Brincadeira a Dois (1974), O Sequestro (1981), e o cult Giselle (1980). Só que aqui o resultado desandou e se colocarmos esse careta e pudico Solidão ao lado do atrevido e libertário Giselle, a gente fica imaginando se o cineasta não foi abduzido e voltou de Shangrilá para fazer esse filme.

O mote inicial da trama é até bacana, com a história de uma mulher incontrolável em sua peregrinação de infidelidades. Desde adolescente, ela levanta a saia para David Cardoso e depois, por mais que se apaixone por diferentes homens, junte os trapos e transe até com o padre, volta sempre para os braços do mancebo. É também protagonista o português que será um de seus amores, um pobre de marré-de-ci em seu país que vem para o Brasil onde faz fortuna com a contravenção. Logo no início do filme ele tem em seus braços Maitê Proença, mas a moça só o seduz sem deixar com que ele a beije. E aí Carlo Mossy lhe avisa que ela é muita areia para seu caminhãozinho, que só com muito dinheiro ele teria uma mulher como aquela. Talvez nostálgico dessa conquista não concretizada, ele vai galgar a ascenção social e encontrará pelo caminho a biscate descrita acima e que será seu grande amor. Infidelidade, jogo do bicho, ciúme e algumas perseguições aliado a pouquíssimas cenas de sexo - pudor inacreditável no cinema de Di Mello - dão sustentação a esse filme em que vemos um verdadeiro quem é quem fazendo pontas: Maitê Proença, Carlo Mossy, Luciana Vendramini, Stênio Garcia, Roberto Bonfim, Luma de Oliveira, Paulo Goulart, Simone Carvalho, Magda Cotrofe, Cléa Simões, Lutero Luiz, Catalano e Vera Gimenez. A presença maciça de astros, além dos protagonistas Marcella Prado e Rogerio Samora  e mais José Wilker - ótimo, Tarcísio Meira, Nuno Leal Maia e Pelé em papéis de destaque comprova a aposta na produção. Pena que os burros deram n´àgua nesse filme que despeja em nossos ouvidos conclusões como "a mulher é um santuário e o homem é um leão que tem que defendê-lo". Vixe!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (46)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.