Ano 16

Histórias que nossas babás não contavam, 1979, Osvaldo de Oliveira

Conto de fadas sacana e apimentado

No melhor estilo das chanchadas, em que Cecil B. DeMille vira Cecílio B. de Milho, e Matar ou Morrer vira Matar ou Correr, esse Histórias que Nossas Babás Não Contavam também avacalha, no melhor estilo, a clássica fábula infantil de origem. Daí, Branca de Neves vira Clara da Neves, e, melhor, na pele mulatíssima da estonteante Adele Fátima. Como se sabe, o conto de fadas dos Irmãos Grimm é sobre a jovem princesa que, depois da morte do Rei, é perseguida pela Rainha Má, que não suporta que seu espelho lhe diga a cada dia que a menina é a mais bela do Reino. Claro que aqui, a Rainha, vivida com brilho e lascívia por Meyre Vieira, não quer saber se é só a mais bonita, mas também a mais gostosa. E o espelho, o ator e famoso dublador Renato Pedrosa - que tinha acabado de ser o inesquecível mordomo Everaldo na novela "Dancin´ Days", de Gilberto Braga - entoa toda a sua fleuma para dizer dia após dia: é Clara das Neves, Madame! 

Clara das Neves é deserdada e expulsa do reino, mas cruza o caminho com personagens deliciosos: Costinha como um caçador de veados; o príncipe que adora bafejar na mão antes de dizer qualquer coisa; e os sete anõezinhos safados, com direito a um Dunga convidando à pedofilia, e um Raivoso bichinha bichinha e histérico. Elenco dos deuses - Adele e Meyre estão lindas; Costinha engraçadissímo; Denis Derkian no tom exato para o príncipe; Renato Pedrosa impagável; e os anões dando show - nessa produção de Aníbal Massaini Neto, que também assina o roteiro e tem colaboração de Ody Fraga, e direção do veterano Osvaldo Oliveira. Destaque também para trilha sonora deliciosamente sacana.

domingo, 28 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (52)


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 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.