Ano 16

Entre Mulheres e Espiões, 1962, Carlos Manga

A genialidade de Oscarito e de Manga

Uma das últimas chanchadas de Carlos Manga, dessa vez ele trocou os cantores de rádio - já estávamos nos anos 1960 - por uma companhia de ópera do Teatro Municipal. Assim, sai Emilinha Borba e entra em cena a Carmen, de Bizet. Esse é o cenário para a entrada de Oscarito, um ator que tem como única função no espetáculo servir de cavalinho para um gorducho Don José - função que, claro, ele vai avacalhar um pouco mais a frente. Mas é nos bastidores que a trama se dá. Contratado pela polícia para fingir que é um agente secreto, já que é um ator, Oscarito terá que descobrir as intenções do espião Dimitri e para isso contará com a ajuda de uma parceira, Marly Bueno, uma agente voluptosa e perigosa. 

O elenco de Entre Mulheres e Espiões é ótimo, mas é impressionante como o filme se vale mesmo é de Oscarito, um gênio de sua época e da história do cinema brasileiro. Ainda que sentimos falta de um parceiro como Grande Otelo ou Zezé Macedo, ele segura bem a graça do filme ao lado de atores como Rose Rondelli, Paulo Celestino, Modesto de Souza e Vagareza. Entre Mulheres e Espiões é um bela despedida de Carlos Manga do gênero - ele ainda fez As Sete Evas - e que pouco mais de uma década depois mergulharia em registro completamente diverso ao focalizar o universo violento, perturbador e fascinante de O Marginal, um dos mais memoráveis filmes policiais brasileiros. É como se depois de brincar durante anos com serpentina e confete nos salões e no Teatro de Revista, ele estivesse pronto para entrar de corpo e alma no submundo e nos subterrâneos que sempre circundavam aquele mundo cintilante, mas que nunca tinham vindo à tona.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (50)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.