Ano 16

Araguaya, A Conspiração do Silêncio, 2003, Ronaldo Duque

Abordagem inconvincente

A ditadura -civil-militar e a luta armada são fatos históricos importantes e cruciais para entendermos o país. No entanto, por que, quase sempre, ficamos um tanto constrangidos ao assistir a filmes sobre o tema? Será porque aquele ideário coletivo esteja tão distante do atual individualismo reinante? Será porque não nos vemos completamente refletidos naqueles gestos e naqueles discursos repletos de palavras de ordem? Ou será mesmo porque muitos de nossos cineastas ainda não encontraram o tom para falar na ficção desse episódio real tão aterrorizante? É o que se dá com esse Araguaya - A Conspiração do Silêncio. A gente vê que é um filme com pretensões sérias, embasado em pesquisas, mas ainda assim a fruição é cindida por termos à frente aqueles personagens que não parecem de carne e osso. 

Na trama, um padre francês vive em uma comunidade isolada no meio da mata, mas tem suas convicções abaladas com a chegada de jovens guerrilheiros disfarçados em gente que trocou a cidade pelo interior. Se tudo é camuflado, as intenções reais vem à tona quando o exército fecha o cerco e a luta é instaurada. O elenco é monocórdio, a não ser uma altiva e interessante Françoise Forton. E ainda há um Cláudio Jaborandy fazendo o mauzão de almanaque - ok, é claro que sabemos que a maldade e a covardia reinavam, mas há sempre um tom quase caricatural nesses personagens nos filmes com essa temática. Araguaya se vale ainda de depoimentos de quem participou daquele momento histórico, como José Genoíno, talvez para reforçar o embasamento histórico. Mas o efeito não é eficaz não, ainda mais olhando para algumas dessas pessoas com o olhar de hoje.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
longas brasileiros em 2010 (49)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.