Ano 16

Crazy - Um Dia Muito Louco, 1981, Victor Lima

Humor negro e anárquico

Interessante produção da Vydia - de Carlo Mossy e Victor di Mello -, esse Crazy - Um Dia Muito Louco é uma investida no filme de humor negro e anárquico levado a cabo pelo veterano Victor Lima. Aliás, está aí um cineasta que precisa ser mais reverenciado - Lima fez chanchadas de valor; dirigiu o ótimo Paraíba, Vida e Morte de Um Bandido; dirigiu um dos melhores Renato Aragão, Bonga - O Vagabundo, e muitos muitos outros filmes, também como roteirista. Aqui, o GRANDE ator Helber Rangel já começa o filme matando seu colega com quem divide casa, Fernando Reski, mas enquanto tenta enterrá-lo em um cômodo nos fundos, tem que abrir a porta o tempo todo, já que a campainha não pára - duas aspirantes a uma vaga anunciada no jornal, as deusas Alba Valéria e Helena Ramos; um vizinho galinhão; e um policial desavisado. 

Crazy - Um Dia Muito Louco se ressente das correrias nas conclusões de situações - tinha fôlego para mais que 85 minutos - mas ainda assim é filme que se assiste com interesse sempre. E com mulheres que tiram a roupa o tempo todo - tem também duas universitárias da PUC em inacreditável ensaio fotográfico que acaba em estupro. É daqueles filmes que precisam da mão firme do diretor e de um elenco afinado. Lima se sai bem, mas no elenco o ponto um tanto manco é Alba Valéria. Ainda que há um certo charme na sua personagem faladeira e atriz iniciante de pornochanchada, ela não consegue segurar as pontas, como fez no cult Giselle, do outro Victor, o Di Mello. Já Helena Ramos se sai muito melhor como a vendedora de bíblias com insuspeito ar de instinto selvagem.

quarta-feira, 3 de março de 2010
longas brasileiros em 2010 (54)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.