Ano 16

Jardim de Guerra, 1968, Neville D´Almeida

o cinema pulsante de Neville

Um dos atores fetiches do Cinema Novo, Joel Barcellos é o protagonista dessa bela estreia em longas do cineasta Neville D´Almeida, Jardim de Guerra. Mas em registro um tanto diferente, aqui ele parece um daqueles bon vivant com um pé na marginalidade da Nouvelle Vague, só que filtrado pelas lentes do Cinema Marginal. Na trama, ele é Edson, um jovem que perambula pelo asfalto, rouba uma mulher acidentada para presentear a namorada, conhece uma aspirante a cineasta, sacoleja nas festinhas de ap, e se envolve com uma barra pesada em busca de uma grana fácil. Mas se é mole mole tirar o bracelete da acidentada que se esvai em sangue, ele vai descobrir que ao cair nas mãos de uma organização misteriosa o buraco é mais embaixo e que sua vida pode estar mesmo por um fio. 

Instala-se aí um universo Kafkaniano, com interrogatórios e torturas por homens de gabinete e togloditas destemidos. E há também duas inquisidoras - Glauce Rocha com um discurso de alerta/ameaça; e Dina Sfat, que fala, chuta cadeira, tudo ao som de "Besame Mucho" que aciona na vitrola. Aliás, o elenco é sensacional, com ainda Maria do Rosário Nascimento e Silva - linda linda, Vera Brahim, Paulo Villaça, Guará Rodrigues, Hugo Carvana, Emanuel Cavalcanti. Um Neville de alta cepa.

quarta-feira, 3 de março de 2010
longas brasileiros em 2010 (53)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.