Ano 16

Vingança, 2008, Paulo Pons

Estreia promissora

Até quase a metade de Vingança, a gente fica sem saber quem são aqueles personagens e quais são suas intenções e funções na trama. E esse é o grande mérito do roteiro - e também da direção - que também é assinado pelo diretor, o gaúcho Paulo Pons. No início, vemos Bárbara Borges encontrada violentada à beira de um rio, e Eron Cordeiro viajando de ônibus e desembarcando no Rio de Janeiro. Sabemos que ele está sendo vigiado e que ele também vigia Branca Messina, uma jovem despudoradamente atrevida. Mais que isso, o filme só vai revelando aos poucos. E, paradoxalmente, é quando as cartas vêm para a mesa, que muito do interesse instalado em quem está do lado cá vai se esvaindo. Mas não fica desinteressante não, sobretudo pelas presenças de Eron Cordeiro e Branca Messina. Ainda que seus personagens não sejam muito bem construídos pelo roteiro, os atores conseguem dar veracidade para eles em suas entregas. Principalmente Branca Messina, bela e talentosa atriz que precisa ser olhada mais de perto. 

Pena que no andar da carruagem esse Vingança vai perdendo fôlego, como nos estereotipados personagens de José Abreu e Emiliano Ruschel, pai e filho gaúchos no sentido folclórico do termo. E é claro que há pais e filhos assim - e não só nos coronéis do nordeste como estamos acostumados -, mesmo porque eles são agentes da trama. Mas ainda assim é ponto fraco do filme essas aparições. Vingança é filme de estreia que prende a atenção, o que não é pouco. E é cinema de gênero, estilo de filme que já rendeu maravilhas na história do cinema brasileiro e que é sempre bem-vindo.

terça-feira, 23 de março de 2010
longas brasileiros em 2010 (65)


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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.