Ano 16

Prisioneiras da Ilha do Diabo, As,1981, Agenor Alves

O cinema de Agenor

Como já foi dito aqui no Insensatez, o baiano radicado em São Paulo Agenor Alves fez história no cinema brasileiro. Afinal é, até hoje, o cineasta negro que mais dirigiu longas: sete. São eles: Tráfico de fêmeas (1978), Noite de orgia (1980), A volta de Jerônimo no sertão dos homens sem lei (1981), As prisioneiras da ilha do diabo (1981), A cafetina de meninas virgens – O kapanga (1982, codireção de Guilermo Vera), Lídia e seu primeiro amante (1982), Eu matei o Rei da Boca (1987). Alves trafegou pelo cinema de aventura, pelo faroeste, pelo policial, e pelo erótico.



Em As prisioneiras da ilha do diabo, um grupo de quatro manequins é arrastado pelos magnatas babões da plateia de um desfile para um passeio de iate no Guarujá. Elas, claro, topam, e algumas já vão entrando no barco e se desfazendo logo das roupas. O que o grupo nem imagina é que, ao mesmo tempo, um bando de foragidos da prisão circula pelo pedaço, e ao correrem da polícia invadem o barco, faz todos de reféns e leva todo mundo para a tal Ilha do Diabo. É lá que um dos bandidões vai se apaixonar perdidamente por uma das sequestradas, mudando o destino de todos eles. Há nos filmes de Agenor Alves – pelo menos o visto até aqui – um genuíno interesse pelo cinema de gênero. Nesse As prisioneiras ele, inclusive,  escalou-se como o protagonista, o tal bandidão de alma romântica. Os problemas de seu cinema são os roteiros manjados – também assinados por ele -, e a direção claudicante. E dá-lhe moçoilas peladas, na maioria das vezes gratuitamente e em cenas esdrúxulas para situá-las no contexto da história.  Há ainda algumas soluções inacreditáveis, como aqui. Exemplo? Os ex-presidiários, escrotos até mandar parar, passaram tempos trancafiados, daí o natural não seria eles traçarem logo aquelas meninas seminuas ali disponíveis? Seria, né? Só que eles antes conversam, comem, tiram um cochilo, e só depois parecem se lembrar da secura sexual. Outra coisa: Alves parece ter fixação em trilha sonora, pois não há cena em que um instrumental não pontue o mostrado, em efeito paradoxalmente contrário, pois xaropetizante, à narrativa. Depois de assistir ao faroeste A volta de Jerônimo e essa aventura mezzo policial mezzo erótica, ainda faltam cinco filmes a conferir e daí ver, realmente, o que foi o cinema de Agenor Alves dentro da Boca do Lixo.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Longas Brasileiros assistidos em 2016 (020)

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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.