Ano 16

Meu destino é pecar, 1952, Manuel Peluffo (Texto 2)

Nelson pela primeira vez no cinema (Texto 2)

Assim como aconteceu no Rio de Janeiro com a Cinédia e a Atlântida, São Paulo também investiu em estúdios de cinema nos anos 1950. A ambição dos paulistas era grande, nada menos que a industrialização do cinema brasileiro. O mais bem-sucedido foi a Vera Cruz, mas podemos citar também a Maristela e a Multifilmes.  Nas décadas de 1950 e 60, a Maristela produziu cerca de uma dezena e meia de longas, e Meu destino é pecar (1952) é um de seus títulos. Primeira adaptação cinematográfica de Nelson Rodrigues, aqui sob o pseudônimo de Suzana Flag, o filme é dirigido pelo uruguaio Manuel Peluffo. E se os outros estúdios tiveram suas musas, como Carmen Miranda e Gilda de Abreu na Cinédia; Eliana Macedo e Adelaide Chiozzo na Atlântida; e Eliane Lage e Tônia Carrero na Vera Cruz; a Maristela também teve as suas, como Vera Nunes e Antonieta Morineau.



Em Meu destino é pecar, Antonieta Morineau é Leninha, bela jovem obrigada pela madrasta a se casar com um homem que não ama, Paulo (Rubens Queiróz), devido aos problemas financeiros de sua família – inclusive para comprar uma perna mecânica para a irmã mais nova, Netinha (Nair Pimentel). Daí vai com ele para a sua fazenda, onde tem que enfrentar a memória fantasmagórica de Guida, a primeira esposa, presença onipresente e sufocante na casa e na família composta, dentre outros, pela obsessiva prima do marido Lídia (Zilah Maria) e pelo irmão cafajeste e sedutor dele Maurício (Alexandre Carlos). Depois desse Meu destino é pecar várias obras de Nelson Rodrigues chegaram ao cinema, e pode-se, inclusive, notar nelas uma certa identidade estética na forma de filmá-las e no estilo de interpretação de seus personagens. Aqui, a condução é pesada, com certo ranço teatral, ainda que não descarte belos planos, como a visita de Leninha ao mausoléu da família do marido debaixo de chuva torrencial. Mas no geral Manuel Peluffo não consegue imprimir nem os elementos de horror que impregnam a narrativa, e nem faz uma eficaz direção de atores. O exemplo maior está na personagem Lídia, a mais fascinante da história, prima de Paulo obcecada pelo fantasma de Guida, que tem na interpretação de Zilah Maria um registro sem nuances – Esther Góes nadaria de braçada em interpretação maravilhosa na minissérie homônima realizada pela Globo em 1984. Já Antonieta Morineau está bem, e linda - pena que atuou só em mais um filme, o anterior Presença de Anita (1951), de Ruggero Jacobbi, abandonando o cinema depois.


sábado, 9 de janeiro de 2016

Longas Brasileiros assistidos em 2016 (009)



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.