Ano 16

Prazer do sexo, O, 1982

Década do explícito na Boca

Berço por excelência do cinema popular, a Boca do Lixo produziu muitos filmes de diferentes gêneros e subgêneros. Um deles foi as famosas pornochanchadas. Só que pornochanchada é cinema popular, mas cinema popular não é pornochanchada. É também - como se sabe pornochanchadas são aqueles filmes em que tudo gira em torno de sexo gratuito sem acrescentar nada à história, apenas pretexto para tirar a roupa das mulheres e mostrar peitinhos, coxas e bumbuns. Se a década de 1970 foi o período para a produção dessa enorme gama de filmes na Boca, quando entram os anos 80 chegam os filmes pornôs. E aí, com o perdão do trocadilho infame, a Boca cai de boca no filão, o que se torna um caminho sem volta. As musas em quase sua totalidade abandonam o pedaço, e o mesmo vale para astros e alguns cineastas. Outros diretores aderem ao novo estado de coisas assinando sob pseudônimo ou não. O prazer do sexo (1982), de John Doo, se situa aí. Notável diretor de filmes de horror, como o longa Ninfas diabólicas (1979), e o episódio O gafanhoto (do longa Pornô, 1981), Doo também marcou presença como ator em vários filmes – tem ótima atuação no clássico O pasteleiro (1981), episódio dirigido por David Cardoso no longa Aqui, tarados!.



O prazer do sexo é mais uma parceria entre Ody Fraga e John Doo, o primeiro no roteiro e o segundo na direção. Mas se a dobradinha funcionou em outros momentos, aqui deu xabu, Mesmo porque o interesse maior dessa vez é a junção da mais reles pornochanchada com os filmes de sexo explícito que já batiam ponto na Boca. A estranha relação entre pai (Rubens Pignatari) e filho (Carlos Milani), que só conseguem se divertir juntos em noites de sexo com prostitutas, poderia até render caminho interessante vide a folha corrida criativa da dobradinha Fraga/Doo se o modelo de produção fosse outro. E quando na primeira cena ouvimos The winner takes it all do ABBA, e mais adiante One day in your life com os Jackson 5, a gente até pensa que vem coisa boa.  Mas não dessa vez, em que o fiapo de história – os dois se apaixonam, o pai por Zaíra Bueno e o filho por Márcia Aoki, o que desanda a velha parceria de farra – é recheado com cenas de sexo explícito que nada tem a ver com a trama. Faz até pensar no famoso recurso de algumas produções da Boca que enxertaram cenas explícitas em pornochanchadas depois de concluídas no período para tentar faturar na bilheteria. Zaíra Bueno, sempre bela, assim como em Coisas eróticas (1981) - o marco definidor do período pornô dirigido por Raffaele Rossi - não participa das cenas explícitas. Sem saber para que lado caminha, O prazer do sexo não vai para lugar nenhum, nem diverte como em algumas pornochanchadas, nem excita. Ainda no elenco feminino, Ana Maria Kreisler, como uma desinibida prostituta, e Áurea Campos como a governanta Consuelo.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Longas Brasileiros assistidos em 2016 (004)



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.