Ano 16

Belas e corrompidas, 1977, Fauzi Mansur

O cinema de horror do genial Mansur

Fauzi Mansur é um cineasta subestimado do cinema brasileiro. Sua culpa no cartório? Ser um dos cineastas da Boca do Lixo, que, ainda que seja grande, foi por isso renegado por grande parte da crítica da época. Afinal a Boca só fazia pornochanchada de quinta, né? Santa ignorância. Foi principalmente com o advento da internet, sobretudo com sua popularização, que toda uma constelação desse período fértil do cinema paulista veio à luz em sua grandeza – além do público, né, que lotava os cinemas e não estava nem aí para os caretas de plantão. E Fauzi é um deles. Mesmo que tivesse dirigido apenas A noite do desejo (1973) - que foi premiado -, já teria seu nome assegurado no cinema brasileiro. Uma das facetas interessantes da carreira do cineasta é formada pelos seus filmes de horror. Belas e corrompidas (1976), que alia o terror à farsa, é um desses exemplares.



Em Belas e corrompidas, Maria Isabel de Lizandra é uma mulher solteira e misteriosa que vive em seu casarão com a fiel governanta corcunda, Stella Maia, e o irmão boêmio, Luigi Picchi. Socialmente, Isabel - mesmo nome da atriz - é a presidente pudica e respeitosa de uma associação beneficente, mas o que as donas de casa carolas integrantes do grupo nem imaginam é o que acontece dentro daquelas paredes do casarão, para onde a benemérita atrai suas vítimas. E aí dá-lhe machadinhas, punhais, estiletes, morcegos, escorpião, guilhotina, e, claro, sangue para todo lado. Alguns homens circulam em torno daquela que os jornais apontam como a Mulher Fera: o policial apaixonado por ela, Fernando Reski; o cego amante de Tula, a corcunda, doido para apalpar a patroa, Carlos Reichenbach; o auxiliar de açougueiro que suspira de amor e tesão, Carlos Bucka; e por fim o irmão farrista que quer por que quer vender o casarão, Luigi Picchi. O filme tem roteiro do bamba Marcos Rey e de Mansur, que na direção aposta em cenas noturnas, muita chuva, escuros e cores quentes para compor a atmosfera de horror sexual. Maria Isabel de Lizandra e Stella Maia estão bem em sua cumplicidade macabra, em elenco que segura a peteca. É claro que a polícia tinha todas as evidências para descobrir desde o início quem é a tal Mulher Fera por causa das inúmeras “coincidências” que ligam as vítimas ao casarão. Mas quem disse que Belas e corrompidas está interessado nas evidências do entrecho policial?  O filme só cai quando abandona o horror para apostar na farsa em sua conclusão no julgamento inverossímil até mesmo para a condução do mostrado até então. Ainda assim é filme que se assiste com interesse, tanto pelo desenrolar da trama quanto pelo destino de seus personagens.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Longas Brasileiros assistidos em 20016 (002)



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.