Ano 16

Dores & Amores, 2010, Ricardo Pinto e Silva

Superficialidades

Segundo cobertura da imprensa na época, esse Dores & Amores causou certo mal estar no debate do Festival de Paulínia em 2010. A imprensa teria detestado o filme e o embate entre diretor e jornalistas não foi nada pacífico. Ricardo Pinto e Silva teria se defendido dizendo que quis fazer um filme de diálogo fácil com o público e cuja história – baseada no livro "Dores, Amores e Assemelhados", de Claudia Tajes, e na peça "Intervalo", de Dagomir Marquezi – mirou foco na superficialidade das relações amorosas atuais. Bom, assistindo, finalmente, ao filme, é quase impossível não ser tomado por um desconforto. Pois o problema aqui é que para falar de superficialidade nas relações, o filme não precisaria, ele próprio, apostar na mesma tal superficialidade. E o uso constante de grafismos, imagens descoladas e ritmo moderninho não ajuda absolutamente em nada para que Dores & Amores decole um pouco e saia do rame rame daquelas fitinhas juvenis bobinhas bobinhas. Há ainda, dentro da história, a encenação de uma novela em que os personagens se miram, mas que na verdade atravanca ainda mais o mostrado e a gente fica se perguntando o tempo todo: mas pra quê isso? 


A trama fala de uma quase balzaquiana (Kiara Sasso) que sonha encontrar o grande amor e acaba apostando todas as suas fichas em um cara (Márcio Kieling) que conhece no casamento do irmão. Ele por sua vez, não dá conta quando uma relação pode virar amor e aí aborta as possibilidades para ficar zanzando no universo da pegação. Há ainda outros personagens circundantes que transitam pela mesma praia, em que vale mais a troca de parceiros que qualquer outra coisa – Kayky Brito, Carlos Casagrande, Jorge Corrula. A utilização de um elenco não muito manjado ajuda a segurar as pontas um pouco, mas o destaque mesmo fica por conta de Kiara Sasso, a protagonista Julia, que está muito bem em sua personagem; além da beleza estonteante da atriz portuguesa Cláudia Vieira, uma doceira obcecada por Jonas, o personagem de Márcio Kieling. O filme anterior de Ricardo Pinto e Silva, Querido Estranho, já era um tanto problemático em seu resultado. Mas fica a anos-luz quando comparado a esse Dores & Amores.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 012



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.