Ano 16

Beijo da Mulher Piranha, O, 1986, J. A. Nunes

O gênio em Garrett no explícito

Depois de fazer história na Boca do Lixo e virar sinônimo de muito do que a Rua do Triunfo realizou de melhor – Amadas e Violentadas (1976), Excitação (1977) e A Mulher que Inventou o Amor (1980), Jean Garrett, como outros tantos, também foi parar no sexo explícito. Só que quando uma vez grande, fica um passado difícil de se extinguir feito bola de sabão. E aí, mesmo se valendo de um pseudônimo - J.A. Nunes -, e o novo formato de produção privilegiar mesmo é o entra e sai – aliás, título de um dos seus filmes desta fase - pode-se ver lá o talento incontrolável emergir. Como neste surpreendente O Beijo da Mulher Piranha, do tempo em que o explícito ainda era feito em 35 mm, e, dependendo do realizador, poderia resultar em algo a mais que pura sequência de trepadas. 


Um ano antes, Hector Babenco dirigiu o sucesso internacional e oscarizado O Beijo da Mulher Aranha, baseado em romance do argentino Manuel Puig. Este Beijo aqui pega carona no título fazendo deliciosa e sacana versão, mas não pensem que fica só nisso não. É como se ele utilizasse apenas o mote fantástico daquela devoradora de machos de lá, e embarcasse a valer naquele universo, mas por conta própria. Garrett constrói, em menos de uma hora e meia, um filme perturbador e de altíssima linhagem. Na trama, um escritor de histórias policiais sai do interior de São Paulo rumo à capital depois de receber pedido de ajuda de um amigo pelo telefone. Seu destino será a casa da enigmática esposa do sujeito, que tem o hábito de se excitar em uma banheira com uma piranha e depois trepar alucinadamente com os homens que cruzam seu caminho. Começa aí um labirinto para o personagem e para nós, que acompanhamos as situações sexuais desenfreadas que acontecem naquela estranha casa onde o horror parece estar submerso e entranhado no cotidiano. Muito bem realizado – as cenas de sexo de Carla Prado com o peixe na banheira são impressionantes -, O Beijo da Mulher Piranha, ainda que com as limitações do gênero, é filme de quem sempre foi grande.



domingo, 15 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 010



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Sala 
 Léa Garcia
Dona de um talento ímpar e altivo, Léa Garcia brilha no teatro, na TV e no cinema.