Ano 15

Letícia Friedrich

Letícia Friedrich nasceu em 30 de setembro de 1984 em Santa Maria (RS). Inicia carreira no audiovisual ao fazer graduação em Comunicação Social com habilitação em Cinema e Vídeo, em Florianópolis, Santa Catarina. Depois faz pós-graduação em Direção de Produção em Cinema, em Barcelona, e em Gestão e Produção Cultural, no Rio. Os primeiros trabalhos já são da época da faculdade: “Já trabalhava na área. Em 2002 mesmo eu comecei como assistente de produção do FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul, um festival de cinema que se realiza na cidade de Florianópolis. Eu comecei a trabalhar com produção e, durante todo o curso, eu fui fazendo produção de curtas de colegas meus. O primeiro curta foi feito na turma, eu assumi o cargo de diretora de produção e a partir dali eu sempre continuei na área de produção”.

Letícia Friedrich trabalha em mais de 20 curtas, seja produzindo, fazendo assistência de direção ou mesmo dirigindo o Árvore solitária. O primeiro trabalho em longa é em Quase um tango, de Sérgio Silva, em 2008. No mesmo ano integra a equipe de produção de A luz do Tom, de Nelson Pereira dos Santos sobre Tom Jobim, nas cenas filmadas em Florianópolis. Depois muda-se para o Rio de Janeiro, onde se radica: “Tinha a ver com o trabalho da área, mas eu estava num momento em que tinha terminado de fazer o filme, de fazer o festival de cinema, e estava com muita vontade de voltar a estudar. Eu tinha feito a pós em Barcelona, mas eu queria continuar estudando, me especializando”.

No Rio de Janeiro, Letícia Friedrich esteve à frente da produção dos projetos de preservação da Revista Filme Cultura e da Coleção Histórica de DVDs INCE/INC no CTAV/SAV/MinC: “Após o falecimento do Gustavo (Dhal), eu finalizei a produção da primera fase da Filme Cultura (cinco novas edições + Coleção Fac Símile) e o projeto da Coleção INCE/INC e me desliguei dos projetos do CTAV, fui trabalhar com televisão. Recebi o convite para implementar o escritório da ABPITV – Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão, no Rio de Janeiro, e coordenar os projetos da entidade no Rio, e lá fiquei até outubro de 2012, quando decidi voltar para a produção independente”. É sócia diretora e produtora executiva da Boulevard Filmes.

A entrevista com a produtora Letícia Friedrich foi feita em dois momentos: pessoalmente, durante a 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro de 2011, e em março de 2103, por e-mail. Ela conversou com o Site Mulheres do Cinema Brasileiro e revisitou sua trajetória, sua formação, os curtas, os longas, os outros projetos, a Filme Cultura, a Boulevard Filmes e outros assuntos.



Mulheres do Cinema Brasileiro: Você nasceu onde e quando?

Letícia Friedrich: Eu nasci em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no dia 30 de setembro de 1984.

MCB: Você me falou que sua formação é em cinema, não é isso? Você se formou lá no Sul ou foi em outra cidade? Que curso foi esse e onde você o fez?

LF: Eu me formei em Comunicação Social, habilitação em Cinema e Vídeo, em Santa Catarina, na Universidade do Sul de Santa Catarina que, na época, quando eu prestei vestibular, era a universidade que oferecia o curso de cinema mais próximo do Rio Grande do Sul. Eu terminei a faculdade em quatro anos e me formei em cinema em Floripa (Florianópolis). Depois, em 2006, eu fui para Barcelona fazer uma especialização em Direção de Produção, também em cinema.

MCB: Durou quanto tempo esse curso em Barcelona?

LF: Foram seis meses. Foi uma pós-graduação intensiva, eu tinha aula de manhã, de tarde e alguns dias à noite, inclusive. Fiz o curso na Escola Superior de Cinema da Catalunha, a ESCAC.

MCB: Nessa época de estudante, você já estava trabalhando na área?

LF: Já,  já trabalhava na área. Em 2002 mesmo eu comecei como assistente de produção do FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul, um festival de cinema que se realiza na cidade de Florianópolis. Eu comecei a trabalhar com produção e, durante todo o curso, eu fui fazendo produção de curtas de colegas meus. O primeiro curta foi feito na turma, eu assumi o cargo de diretora de produção e a partir dali eu sempre continuei na área de produção. Acho que nesses quatro anos de faculdade, entre 2002 e 2006, eu devo ter produzido mais ou menos uma média de cinco ou seis curtas por ano, tanto dos meus colegas, quanto curtas realizados com prêmios de editais municipais e estaduais em Santa Catarina.

MCB: Dá para citar alguns títulos?

LF: Sim. O mais significativo foi um curta que eu produzi em 35 mm em Santa Catarina, que foi da Mara Salla, o Por Causa do Papai Noel. Nós o realizamos em 2005, foi o primeiro edital que o FORCINE - Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual lançou em parceria com o Ministério da Cultura. Ele premiava filmes de alunos que estavam se formando na faculdade. Ou seja, foi trabalho de conclusão de curso, que se tornaria um filme em 35 mm. Eu ajudei a Mara a inscrever esse projeto no Fórum, e nós fomos a única universidade particular que ganhou o edital. Foi uma vitória pessoal, minha e dela, porque eu ajudei a formatar o projeto e, posteriormente, fiz a direção de produção e produção executiva do filme. Foi um filme muito significativo pra mim. Depois eu produzi outros filmes também: o Jazz, que foi um filme de faculdade que nós realizamos em 16 mm. Era um trabalho de turma também, mas acabou rodando alguns festivais e foi bem bacana. O que mais? Eu também dirigi um curta que se chama Árvore solitária. Foi feito em 16 mm, mas finalizado em digital, era meu trabalho de conclusão de curso. Eu resolvi ousar, porque na época cada aluno podia fazer um filme digital, e eu tinha um roteiro experimental, uma homenagem à natureza e também ao cinema do Tarkovsky. Inclusive, é baseado num conto do Leon Tolstói que se chama Três mortes. Eu achava que para o tipo de filme e para os planos que eu tinha, seria preciso muita profundidade de campo, filmamos 90% externas e na natureza, então resolvi fazer em película e banquei esse custo com apoio de empresas e fiz uma rifa onde consegui arrecadar uma grana para bancar os custos de laboratório. Também acabei trazendo um ator de fora, que foi o Chico Diaz. Isso foi meio inédito na época, ninguém tinha experimentado trazer atores de fora de  Santa Catarina pra produzir filmes pequenos e eu acabei trazendo o Chico, porque eu não estava encontrando o ator ideal para o filme. Sempre que eu pensava em alguém me vinha ele, me vinha o Chico Diaz à cabeça, e eu pensei “por que não tentar?”.  Na época, eu mandei o roteiro para ele e fiz o convite. Ele adorou a ideia e topou na mesma hora, isso foi muito bacana. Ele foi foi pra Santa Catarina fazer um filme de uma menina que ele nem conhecia e um filme de conclusão de curso de cinema. Isso acabou gerando um burburinho que foi super positivo pra carreira do curta. 

MCB: Você tem mais dois.

LF: O Verdades e ruínas, do Vander, em que eu fiz a produção. O Vander foi um colega e ele acabou não terminando o curso. Esse foi um filme também feito na raça, sem apoio de edital.

MCB: Tem o Peur Et Abandon

LF: Também do Vander. Eu fiz assistência de direção pra ele. Também foi um filme independente, que nós fizemos com a ajuda dos amigos, enfim, das empresas locais, fora da faculdade. A gente conseguiu equipamento e tudo, foi filmado no sul da ilha de Santa Catarina, foram duas madrugadas. Era um grupo de amigos que se juntavam para fazer um lual, uma roda de amigos, e naquela roda eles iam discutindo várias coisas sobre a vida. Foram duas madrugadas intensas. Nessa época eu morei em Santa Catarina, mas nunca deixei de produzir no Rio Grande do Sul também. Então, eu sempre fui muito ao Sul fazer produção de filmes de amigos meus, especialmente de Caxias do Sul, uma cidade onde eu cresci, onde minha família mora até hoje. Lá eu produzi uma série de seis curtas também e dois videoclipes. Um deles é O sapateiro, curta do Jorge de Jesus, e Um dia na vida, também do Jorge. Os dois são ganhadores do Fundo Municipal da Cidade. A gente acabou trazendo atores de fora também, veio a Fernanda Rodrigues protagonizar o filme Um dia na vida, que foi bem legal.  Havia esse medo de trabalhar com ator de fora, aquela coisa de priorizar o local, mão de obra local, atores locais. Mas eu acho que às vezes, dependendo do filme e do personagem, a gente imagina um ator que se encaixe perfeitamente, então é melhor tentar. Depois que eu terminei a faculdade, eu fiquei uns seis meses em Caxias do Sul, e lá eu trabalhei na direção de produção de um núcleo que se chamava Núcleo de Produção Audiovisual de Flores da Cunha, uma cidade do interior da serra, próxima a Caxias do Sul. Esse núcleo foi construído por meio de um incentivo de um programa europeu, que se chama Programa URBAL. Todo ano eles escolhem uma região de algum país colonizado por europeus, italianos, alemães e poloneses, e naquele ano, em 2006, 2007, eles escolheram a Serra Gaúcha, colonizada pelos italianos. Eles resolveram investir em um núcleo de produção de cinema nessa cidade, em Flores da Cunha, mas que atendesse toda a região, que contasse histórias da colonização italiana, costumes que se mantinham até hoje. Eu trabalhei nesse núcleo, e aí eu produzi uma série que se chama Vindima da Imagem, que foi exibida no interior do Rio Grande do Sul, exibida também no Festival de Gramado. São 11 curtas-metragens, documentários que relatam costumes locais que vieram através da tradição italiana. Eu produzi essa série e acabei dirigindo um documentário também.

MCB: É o do porco?

LF: A matança do porco, que eu fiz em parceria com o Marcelo Mugnol. Ele conta a tradição dessas famílias italianas, que criam os animais, em especial o porco, e quando ele está pronto, a família toda se reúne para matar o animal e faz aquilo durante dois dias, como atividade principal, em que toda a família se concentra e ajuda, desde matar, tirar a pele, cortar as partes, fazer a linguiça, a morsilha, a copa. Eu acompanhei todo esse processo.

MCB: Ainda que você tenha feito direção e assistência de direção, me parece que a sua praia acabou sendo mesmo a produção, não é?

LF: Exatamente.

MCB:  Como se deu esse caminho?

LF: Eu acho que eu quis assim. Eu acho que eu senti que no mercado de Santa Catarina, como também no do Brasil todo, há uma carência de produtores, de pessoas que gostem de fazer produção. Eu acabei me destacando como produtora e estava sempre sendo requisitada para essa função. Eu acho que foi uma coisa que eu fui descobrindo aos poucos. Eu gosto muito de fazer 

MCB: Você desenvolveu mais trabalhos no Sul, antes de ir para o Rio de Janeiro? E por que foi para o Rio?

 LF: Eu acho que o único filme que eu não comentei aqui e que eu fiz antes de ir para o Rio foi oQuase um Tango, um longa do Sérgio Silva.

MCB: Esse foi feito antes de você ir? Achei que já tivesse ido para o Rio...

LF: Não, quando eu fui trabalhar nesse núcleo de produção de Flores da Cunha, eu produzi mais uma vez o Festival de Florianópolis, em 2008, foi a última vez que eu produzi. E aí, ainda em 2008, eu fui fazer esse longa em Porto Alegre, que se chama Quase um Tango, do Sérgio Silva. Eu era assistente de produção e fiquei uns seis meses intensos trabalhando no longa. Foi meu primeiro longa, então eu acompanhei a pré- produção, produção, desprodução, fiz tudo. Depois, quando eu estava no Rio, cheguei a acompanhar até a pós-produção. Quando eu terminei esse longa em Porto Alegre, eu cheguei a ir para Florianópolis de novo, cheguei pra fazer alguns trabalhos com publicidade lá. Nesse meio tempo, surgiu a história de que o Nelson (Pereira dos Santos) poderia filmar em Florianópolis um documentário sobre o Tom Jobim.

MCB: Antes dessa história do Nelson, vamos falar um pouco mais sobre o  filme do Sérgio. Foi difícil ou foi só outra dimensão, essa história da produção de um curta para um longa?

LF: Não, foi outra dimensão o longa. A experiência com o curta ajudou muito, só que no longa a equipe é maior, o tempo de filmagem é maior, o número de pessoas envolvidas é maior. E era um filme que tinha locação em Porto Alegre e locação no interior do Rio Grande do Sul. A gente filmou muito na cidade, então tem toda aquela coisa de logística para filmar em Porto Alegre, a capital, e  tínhamos o Marcos Palmeira, que é um ator super conhecido. Então a gente tinha todo esse cuidado com ele, ainda mais filmando na rua, a gente acabou filmando num calçadão do centro de Porto Alegre, muito movimentado. Teve toda uma estrutura, foi uma experiência muito boa, e eu acho que a experiência de curta ajudou muito, mas fazer um longa é muito diferente, realmente é outra dimensão de trabalho.

MCB: Vamos agora ao episódio Nelson Pereira dos Santos.

LF: Eu estava em Florianópolis, fazendo uma publicidade, e aí surgiu a notícia de que o Nelson iria filmar em Florianópolis cenas do documentário sobre o Tom Jobim. O César Cavalcanti, um produtor carioca que hoje mora em Florianópolis, acho que já há alguns dez anos, é amigo do Nelson e fazia a produção local das filmagens do longa do Antonio Carlos Jobim, o homem iluminado (A luz do Tom). Na época, o César estava pensando em quem chamar para a produção e a diretora de produção Ana Fonte me indicou. e ficou sabendo que eu estava em Florianópolis. Eu sabia da importância de trabalhar com o Nelson Pereira dos Santos, e foi muito legal, foi uma experiência maravilhosa. 

MCB: Foi assim que você se mudou para o Rio de Janeiro? 

LF: É. Eu fiz assistência de produção. Na verdade, foi assim. Eu não fui para o Rio logo na sequência, com eles. Eles iam filmar uma parte no Rio, e quando eles chegaram lá, no domingo, na terça-feira eles já iam filmar a outra parte do filme em Petrópolis. Então a filha do Nelson, que é produtora do filme também, estava organizando essa parte da produção lá. Eles filmaram uma parte do filme, só que acabaram não finalizando as filmagens. E nesse meio tempo é que eu fui para o Rio, em agosto de 2008. Nós filmamos em Florianópolis em maio e junho de 2008, eles continuaram a filmagem em junho e finalizaram em agosto. Eu fui para o Rio de Janeiro e aí, na verdade, a gente só foi voltar a filmar, terminar o filme, em fevereiro de 2009, quando foi feita a cena com a Tereza em Petrópolis e uma parte da Ana Jobim no Jardim Botânico. O longa é um documentário sobre a vida do Tom Jobim, pelo olhar das três mulheres da vida dele, que é a irmã Helena Jobim, a primeira esposa Tereza e a segunda esposa Ana Jobim. Cada uma foi filmada numa locação diferente e que contextualizava um pouco a história.  Florianópolis foi escolhida porque lembrava muito o Rio de Janeiro das décadas de 40 e 50.

MCB: Você foi para o Rio por motivos pessoais ou tinha também a ver com o trabalho da área?

LF: Tinha a ver com o trabalho da área, mas eu estava num momento em que tinha terminado de fazer o filme, de fazer o festival de cinema, e estava com muita vontade de voltar a estudar. Eu tinha feito a pós em Barcelona, mas eu queria continuar estudando, me especializando, e eu estava naquele momento em que pensava “ah, eu acho que está na hora de ir para outro lugar”. Eu não queria continuar em Florianópolis, e também não sentia que Porto Alegre era o meu lugar. Daí resolvi ir para o Rio. Na mesma época, eu fiquei sabendo de um curso de pós-graduação MBA, na Fundação Getúlio Vargas, em Produção e Gestão Cultural. Eu pesquisei sobre o curso e me inscrevi. Então, eu fui para o Rio por motivos profissionais e pessoais também, para continuar estudando. Acabei concluindo o MBA em junho do de 2010. Desde que eu cheguei no Rio de Janeiro eu sempre trabalhei, sempre estive envolvida em produções. Em 2009 eu estive envolvida em produções com cinema. Já o final de 2009 e 2010 foram totalmente de produção cultural. Acabei me afastando dos sets e descobrindo um outro lado da produção que não deixou de ser vinculado ao cinema. Não é produção de filmes, o que eu continuo fazendo agora, que são os dois projetos...

MCB: A Filme Cultura?

LF: É, a Filme Cultura.

MCB: Lá você é produtora, não é?

LF: Sou produtora, exatamente.

MCB: Como foi sua entrada na Filme Cultura? 

LF: Foi um convite. Na verdade, eu conheci a Joana (Nin) em 2006, no Festival de Florianópolis. Quando eu produzi o festival, ela foi coordenadora de imprensa. Depois nos encontramos no Rio de Janeiro, a Joana já trabalhando no CTAV. Em setembro de 2009, ela me ligou para saber se eu tinha alguma experiência na área de produção gráfica. Eu falei para ela que não tinha, quer dizer, que a experiência que eu tinha era a do Festival. A Joana estava a procura de alguém que tivesse conhecimento, que fizesse isso, só que no fim ela acabou também não encontrando a pessoa certa. O projeto acabou sendo reformulado, daí, em janeiro de 2010, começaram as reuniões de pauta.  Foi definida a redação e a Joana viu que aquele projeto precisava de um produtor, não era simplesmente uma secretária de redação, e nem os diretores conseguiriam fazer a revista sozinhos. Nem ela, que era editora executiva. Aí a gente se encontrou um dia no carnaval, num bloco de cinema, e ela comentou desse projeto, que estava precisando de alguém. Coincidentemente, na época, eu tinha um convite para outro trabalho, mas que não estava definido. Eu me empolguei muito com a ideia, com a história da revista, da qual eu já tinha ouvido falar, mas sabia muito pouco. E com a ideia de estar trabalhando dentro do CTAV também, com projeto de preservação, fazendo uma coisa diferente do que eu vinha fazendo. Eu estava vindo do curso de gestão e produção cultural, que abrangia várias áreas, e aí a Joana me convidou, eu aceitei, e no outro dia eu já estava lá no CTAV, conhecendo todo mundo.

MCB: Seu trabalho de produtora na Filme Cultura consiste especificamente em quê?

LF: Bom, eu fico encarregada de contratar os serviços que prestam, por exemplo, a gráfica. Cuido da produção na distribuição de revistas, fui eu que entrei em contato com todas as livrarias, cuido dos pedidos, da entrega, do acerto, do pagamento de todo mundo que participa do projeto. Fiz produção etnográfica de algumas edições da revista, cuido da participação da revista em eventos, como por exemplo na Mostra de Tiradentes, fui eu que organizei isso. Eu produzi o lançamento da coleção, o retorno da revista, enfim, uma série de pequenas coisas que precisam ser resolvidas.

MCB: Você trabalhou também na edição histórica da coleção?

LF: Também. Fiz todo o acompanhamento com o designer, porque a edição histórica foi digitalizada página por página, então foi microfilmada também, e tivemos uma parceria com a Biblioteca Nacional. Eu participei desse processo da parceria, em que  a biblioteca microfilmou todas as edições histórias e depois a empresa digitalizou. Eu cuidei dessa parte junto com a Joana, ela sempre coordenando. A Joana abria a frente e eu ia acompanhando o processo. Fiz todo o acompanhamento com a gráfica também, decidi em que papel ia ser impressa, recebi as provas, ia à gráfica acompanhar a impressão.

MCB: É um trabalho grande.

LF: É um trabalho grande, grande. 

MCB: Você sabe qual foi a tiragem?

LF: Dois mil exemplares. Duas mil coleções.

MCB: Qual a tiragem da revista?

LF: Primeiro foi uma tiragem de dois mil exemplares. Agora, na nova fase, a gente está tentando aumentar a tiragem pra cinco mil exemplares.

MCB: Como está a projeção para a continuidade da revista?

LF: A gente está trabalhando agora no projeto de continuidade. A receptividade foi muito boa, tanto da coleção quanto da revista, cada número lançado vende mais do que o anterior, então a gente sente que as pessoas estão começando a redescobrir a Filme Cultura, estão começando a comprar, a virar fã da Filme Cultura. Inclusive, a gente recebe e-mails todo mês de pessoas querendo assinar, e isso é uma coisa que a gente pretende fazer para a próxima fase, que a gente chama de fase dois. Aumentar a tiragem, aumentar a distribuição. A gente pensa  em entrar em contato com as distribuidoras para poder ampliar os focos de venda, a gente não pensa em banca, em princípio a gente pensa em livraria, porque o nosso público, pelo perfil da revista, não é de banca, é de livraria. Pensamos também em vender através do site, tem muita gente que entra no site e quer saber onde comprar, como é que faz para conseguir. Aumentar a tiragem e também fazer assinaturas.

MCB: Atualmente você está focada totalmente na Filme Cultura ou está com outros projetos?

LF: Eu estou agora trabalhando também na produção de outro projeto, que é a digitalização do acervo do Instituto Nacional de Cinema Educativo e do INC - Instituto Nacional de Cinema. Nós vamos lançar um box, uma coletânea com 20 DVDs com mais de 100 filmes digitalizados do acervo do INCE e do INC. Estou  tocando essa produção.  Eu abri uma produtora agora com mais um sócio, a gente pensa em entrar na área de cinema, em produção de filmes. Então eu estou envolvida com esses três projetos, a Filme Cultura, com o projeto de digitalização do acervo do INCE, e agora com a minha produtora.

MCB: Para a produtora, você pensa em curtas e longas?

LF: Curtas, longas e produção para a televisão também. Nosso foco é a área audiovisual.

MCB: As únicas duas perguntas fixas do site: qual o último filme brasileiro a que você assistiu?

LF: Vale aqui da Mostra?

MCB: Se não tiver outro, pode ser.

LF: Bom, o último filme que eu vi aqui na Mostra foi O transeunte.  Acho que o último filme brasileiro a que eu assisti foi esse.

MCB: Eu sempre convido as minhas entrevistadas para homenagear uma mulher do cinema brasileiro, de qualquer época e de qualquer área. Qual a mulher brasileira que você registra na sua entrevista?

LF: Bom, eu vou homenagear a Sara Silveira, que é produtora, gaúcha como eu. Ela também começou no cinema como assistente de produção, foi descoberta por um grande diretor, que é o Carlos Reichenbach. Eu a admiro muito, porque ela investe em projetos ousados, tanto em cineastas da velha guarda como da jovem guarda. Eu acho ela uma guerreira. Eu admiro muito o trabalho da Sara Silveira.

MCB: Muito obrigado pela entrevista.


Segunda parte da entrevista:


MCB: Como está a projeção para a continuidade da revista?

LF: Estamos trabalhando agora no projeto de continuidade. A receptividade foi muito boa, tanto da coleção quanto da revista, cada número lançado vende mais do que o anterior, estamos sentindo que as pessoas estão começando a redescobrir a Filme Cultura, estão começando a comprar, a virar fã da revista. Inclusive, recebemos e-mails todo mês de pessoas querendo assinar, e isso é uma coisa que a gente pretende fazer para a próxima fase, que chamamos de fase dois. Aumentar a tiragem, aumentar a distribuição. Pensamos em entrar em contato com as distribuidoras para poder ampliar os focos de venda, em princípio a gente pensa em livraria, porque é o nosso público, pelo perfil da revista, não é de banca, é de livraria. Pensamos também em vender através do site, tem muita gente que entra no site e quer saber onde comprar, como é que faz para conseguir. Aumentar a tiragem e também fazer assinaturas.

MCB: Atualmente você está focada totalmente na Filme Cultura ou está com outros projetos?

LF: Eu estou agora trabalhando também na produção de outro projeto no CTAV, que é a digitalização do acervo do INCE - Instituto Nacional de Cinema Educativo  e do INC - Instituto Nacional de Cinema. Será lançado um box, uma coletânea com 20 DVDs com mais de 100 filmes digitalizados do acervo do INCE e do INC. Sou responsável pela produção do projeto.  Mas recentemente eu abri uma produtora, a Boulevard Filmes. Desde então, eu estou envolvida com esses três projetos: a Filme Cultura, o projeto de digitalização do acervo do INCE/INC e agora com a minha produtora.

MCB: Para a produtora, você pensa em curtas e longas?

LF: Curtas, longas e produção para a televisão também. Nosso foco é a área audiovisual como um todo. 

MCB: Como ficou a continuidade da Filme Cultura com a morte do Gustavo Dahl? Deve ter sido um choque para vocês, não é?

LF: A morte do Gustavo foi um grande choque, uma perda inestimável, não só para a revista mas para todo o cinema brasileiro. Foi difícil finalizar os projetos sem ele. Era um excelente gestor e um mestre. A nova gerência do CTAV assumiu a finalização do projeto da coleção de DVDs e tocou a segunda fase da revista, que atualmente está em circulação com novos números. Após o falecimento do Gustavo, eu finalizei a produção da primeira fase da Filme Cultura (cinco novas edições + Coleção Fac Símile)  e o projeto da Coleção INCE/INC  e me desliguei dos projetos do CTAV, fui trabalhar com televisão. Recebi o convite para implementar o escritório da ABPITV – Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão, no Rio de Janeiro, e coordenar os projetos da entidade no Rio e lá fiquei até outubro de 2012, quando decidi voltar para a produção independente.

MCB: Como ficou a nova configuração da diretoria da Filme Cultura? E quanto à distribuição da revista em esfera nacional? Já se encontra em todos os estados?

LF: Da equipe editorial que fez parte da primeira fase da revista, da  retomada, sei que ainda continuam o Carlos Alberto Mattos e o Daniel Caetano. Quanto à distribuição, não posso falar, pois não estou mais na produção, mas tenho acompanhado os lançamentos dos novos números e vejo que a revista continua crescendo a cada nova edição. Torço muito pela revista, tenho grande carinho. 

MCB: Como está o projeto de digitalização do acervo do INCE?

LF: A coleção já está pronta e o CTAV está organizando o lançamento, mas não tenho mais detalhes sobre como será a distribuição.

MCB: Fale sobre a produtora, o que a levou a montá-la? 

LF: Minha formação acadêmica e profissional sempre foi voltada pra área da produção audiovisual, atuando na direção de produção, gestão e produção executiva de projetos.  A partir dessa minha experiência, somada à vontade de empreender, me senti preparada para atuar no mercado audiovisual também como pessoa jurídica, focando em estratégias de produção e de distribuição de conteúdo audiovisual e foi aí que, em parceria com o Lourenço Sant’Anna, também produtor e amigo, fundamos a Boulevard Filmes.

MCB: Quais são os projetos da produtora?

LF: A versatilidade é uma das principais características da empresa, firmando parceria com diretores e produtoras do Sul ao Nordeste do país, nos mais variados gêneros e segmentos do audiovisual. Atualmente, a produtora está envolvida na produção do documentário para a webBoca de rua – vozes de uma gente invisível, no licenciamento e produção de conteúdo infantil com as séries Lala e a turma da estante (que será exibido no segundo semestre na TV Brasil) e  Na cachola, em parceria com o estúdio de animação Usinanimada. Além disso, estamos finalizando o longa de ficção Brega Naite, de Renata Pinheiro, em coprodução com a produtora pernambucana Aroma Filmes, desenvolvendo com o Canal Futura a série Sucessão Rural e começando a pré- produção do documentário Glauco do Brasil, sobre o pintor Glauco Rodrigues, com direção do cineasta gaúcho Zeca Brito. Temos também projetos em desenvolvimento nas áreas de animação, web, TV e cinema, em parceria com diretores como:  Marcelo Marão, Leo Garcia, Marcelo Andrighetti, Boca Migotto e Humberto Giancristofaro. 

MCB: Algum assunto que queira acrescentar?

LF: Gostaria de registrar minha grande admiração profissional e pessoal pelo mestre Gustavo Dahl.  Tive a honra de conviver e de trabalhar com ele e levo desse aprendizado a paixão pelo cinema nacional.  E sei que o Gustavo também amava as mulheres do cinema brasileiro e, por isso, me sinto privilegiada de fazer parte desse time. 



Entrevista realizada durante a 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro de 2011, e em março de 2103, por e-mail. 

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Sala 
 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.