Ano 15

Kátia Machado

A produtora Kátia Machado esteve em Belo Horizonte para o lançamento do filme O outro lado da rua, de Marcos Bernstein, junto com o cineasta e com os atores Fernanda Montenegro e Raul Cortez. 


Nascida no Brasil, Kátia Machado vive na França desde 1986. Após 13 anos de cooperação com empresas europeias e americanas, funda em Paris a produtora independente Pássaro Filmes em 2001 com a Escazal Films.  “O Outro Lado da Rua” é seu primeiro filme no Brasil:


Aparentando tranquilidade, feito nem sempre muito comum quando os produtores mostram e conversam com a imprensa sobre seus filmes, Kátia Machado, na conversa com o Mulheres, repetiu a palavra maravilhosa cinco vezes ao falar sobre sua experiência como produtora do filme.


 


Mulheres: O outro lado da rua é sua primeira produção no cinema. Como está sendo essa estreia:


Kátia Machado: Ótima. O outro lado da rua está tendo uma ótima trajetória. Até agora já participou de 6 festivais, recebeu 8 prêmios, em quatro países diferentes; o último foi no Festival Film Tribeca, fundado por Robert De Niro após os atentados do 11 de setembro, que concedeu à Fernanda Montenegro o prêmio de Melhor Atriz.


Mulheres: Você nasceu no Brasil, mas vive na França, não é isso?


Kátia Machado: Sim, vivo lá desde 1986.


Mulheres: O que te levou a produzir esse filme no Brasil?


Kátia Machado: Depois de 13 anos de cooperação com empresas europeias e americanas, fundei em Paris a produtora independente Pássaro Filmes, em 2001, com a Escazal Films. O outro lado da rua é meu primeiro filme aqui.


Mulheres: E como foi a experiência:


Kátia Machado: Realmente é uma experiência para mim muito emocionante. Não é só o primeiro filme do Marcos (Bernstein) como cineasta, mas é minha primeira produção de longa-metragem no Brasil. A minha empresa é francesa na realidade, agora é uma empresa franco-brasileira porque a Pássaro Filmes também tem seu escritório aqui.


Nosso objetivo na Pássaro é ser uma plataforma para novos talentos, eu acho que alguém tem que ajudá-los e eu adoro esse entusiasmo do cineasta estreante.


 


Mulheres: E já na sua primeira produção, você conta com dois dos maiores atores brasileiros.


Kátia Machado: Além de trabalhar com o Marcos, eu adorei a união de dois atores do peso de Fernanda Montenegro e Raul Cortez.


A Fernanda é realmente a única atriz brasileira conhecida internacionalmente. Quando eu digo conhecida é realmente conhecida, todos, todos os profissionais, em todos os países.  A Fernanda é uma pessoa estimada, ela é uma grande atriz, uma grande atriz internacional.


O Raul teve seu momento em Berlim, descobriram o Raul lá fora. Tenho certeza que temos hoje grandes atores aqui, que, cinematograficamente, podem ser maravilhosos. São ainda poucos explorados, porque não existe uma indústria de volume no Brasil, tá começando agora. Enfim, tem muitos talentos neste país.


Mulheres: O filme O outro lado da rua é um legítimo representante do filão das coproduções, bem-sucedido modelo de viabilização de projetos em vários países, mas ainda pouco acionado no Brasil, não é?


Kátia Machado Vir para cá foi muito bom, e vim com o apoio do cinema francês, que é um cinema, que é um país que acolhe muito o cinema estrangeiro. Graças à França muitos filmes, muitos diretores estrangeiros conseguiram ser quem são hoje, como Lars Von Trier, Amos Gitai, Kusturica. Todas essas pessoas começaram no cinema graças a França, e nós tivemos essa sorte.


O Marcos teve essa sorte privilegiada de ter como parceira a Arte, que é coprodutora desses cineastas que acabei de citar. Ele é o primeiro brasileiro a entrar nesse grupo e eu só posso desejar agora que o público realmente ame essa história, se sensibilize com essa história e abra caminho também para um outro tipo de cinema que é o cinema de personagem.


Mulheres: E o orçamento do filme?


Kátia Machado: O orçamento foi de quatro milhões e meio de reais empregados no filme. É sempre difícil levantar grana, principalmente com cinema estrangeiro, estrangeiro para mim, no caso, porque a minha empresa é francesa, a empresa que produziu não foi à empresa brasileira, mas a empresa francesa.


Convencer um investidor de colocar uma soma de dinheiro importante, mesmo que o orçamento não seja enorme, num estreante é muito complicado. Mas nós tínhamos um roteiro maravilhoso, muito bem escrito, ele (Marcos Bernstein) já tinha feito sua prova como roteirista, já reconhecido pelo Central do Brasil lá fora. E em seguida, quando a Fernanda disse que entrava, deu-se um impulso de qualidade no projeto.


A coprodução é mais uma alternativa para financiamento. É sempre difícil, mas por uma razão ou por outra esse projeto fluiu, eu não posso dizer que foi difícil.




Entrevista realizada em 2005.

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 Sala Dina Sfat
Atriz intensa nas telas e de personalidade forte, com falas polêmicas.